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Irã se reúne com europeus, mas sem sinais de avanços sobre sanções
Os países europeus que buscam a reimposição de sanções ao Irã por seu programa nuclear se reuniram nesta terça-feira (23) com o principal diplomata de Teerã, à margem da Assembleia Geral da ONU em Nova York. Mas, por ora, não há sinais de acordo.
As partes, contudo, continuarão os diálogos na medida em que aumentam as pressões para que sejam retomadas as sanções a partir de 28 de setembro e em meio às advertências do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, de que o seu país não vai ceder.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, tem até o final do sábado para chegar a um acordo com suas contrapartes britânica, francesa, alemã e da UE para evitar o restabelecimento das sanções da ONU, que haviam sido suspensas sob um acordo assinado em 2015.
"As próximas horas são determinantes. Ou o Irã dá um passo à frente e se compromete de novo com um caminho de paz e responsabilidade [...] ou será necessário aplicar sanções", advertiu o presidente francês Emmanuel Macron durante o seu discurso no púlpito da ONU.
Além disso, Macron anunciou que se reunirá na quarta-feira com o presidente iraniano Masud Pezeshkian para tratar do tema.
Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores do Irã qualificou as sanções como "injustificadas e ilegais".
Sem entrar em detalhes, acrescentou: "Ficou acordado que as consultas com todas as partes envolvidas continuariam". No entanto, não detalhou se estas ocorreriam esta semana em Nova York, ou depois que forem restabelecidas as sanções.
Em Teerã, Khamenei afirmou nesta terça que seu país não vai ceder às pressões para interromper o enriquecimento de urânio. "Não cedemos nem cederemos a pressões nesse assunto ou em qualquer outro", disse.
"O Irã nunca deve obter uma arma nuclear", disse, mais cedo, o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul.
"As chances de alcançar uma solução diplomática antes que as sanções entrem em vigor são escassas", acrescentou.
- 'Medidas concretas' -
Araghchi se reuniu em Nova York com seus colegas de Alemanha, França e Reino Unido, e também com a titular de política externa da União Europeia, Kaja Kallas.
"Exortaram o Irã a adotar medidas concretas nos próximos dias, ou inclusive nas próximas horas, para responder às preocupações de longa data sobre seu programa nuclear", indicaram os Ministérios das Relações Exteriores alemão e britânico.
O Irã e os três países europeus se responsabilizam mutuamente pelo fracasso da diplomacia na hora de alcançar um acordo sobre o programa nuclear da república islâmica, que resultou na reimposição das sanções internacionais à nação persa pelo Conselho de Segurança da ONU.
Alemanha, França, Reino Unido e Estados Unidos suspeitam que o governo iraniano pretende adquirir uma bomba atômica. Teerã nega veementemente, insistindo em que tem direito ao uso civil da energia nuclear.
Em junho, Israel lançou uma importante campanha militar contra as instalações nucleares iranianas, à qual se juntou o presidente Donald Trump, que ordenou que aviões de combate americanos lançassem bombas sobre alvos-chave.
O governo Trump, que pressionava há muito tempo pela retomada das sanções, manifestou sua disposição para manter conversas com o Irã, que duvida da sinceridade de Washington.
O Conselho de Segurança da ONU aprovou na sexta-feira a reimposição de restrições econômicas a Teerã, que entrarão em vigor no domingo, 28 de setembro, caso não haja um acordo diplomático antes disso.
B.Baumann--VB