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Palestinos da Cisjordânia marcham para celebrar o reconhecimento de seu Estado
Uma multidão se reuniu nesta terça-feira (23) na Cisjordânia para celebrar, com bandeiras e retratos do presidente da Autoridade Palestina, o reconhecimento do Estado palestino por várias potências. Mas essa alegria não é geral e outros afirmam: "Não queremos palavras, queremos ações".
Em uma praça de Ramallah, os alto-falantes reproduziam palavras de ordem nacionalistas e centenas de pessoas agitavam bandeiras palestinas e europeias, com cartazes com a mensagem "Parem o genocídio".
O evento contou com a participação do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, e altos funcionários de seu partido político, Fatah, e de seu governo, que exerce uma administração limitada na Cisjordânia ocupada.
Jibril Rajoub, secretário-geral do Comitê Central do Fatah, declarou que esse reconhecimento por parte de potências como França, Reino Unido, Canadá e outros países é o primeiro passo de um processo que esperam ter continuidade.
"É o resultado de mais de um século de resistência", afirmou.
Rajoub contou que ficou comovido pelos discursos proferidos por vários líderes no pódio da ONU em Nova York na segunda-feira, quando anunciaram formalmente o reconhecimento do Estado da Palestina.
Maysoun Mahmoud, integrante do Fatah de 39 anos, disse que o objetivo deste evento é "agradecer aos países que reconheceram a Palestina", mas também pedir que os apoiem para que a guerra chegue ao fim.
Na cidade de Tulkarem também houve uma marcha onde os palestinos carregaram as bandeiras dos países que reconheceram seu Estado.
Mas muitos presentes ouvidos pela AFP expressaram sua ambivalência sobre essa decisão devido à difícil situação que persiste nos Territórios Palestinos.
Roula Ghaneb, uma acadêmica de Tulkarem, permaneceu impassível no meio da manifestação em Ramallah enquanto segurava uma foto de seu filho Yazan, um jovem de 20 anos que foi preso há oito meses.
A mulher falou das más condições de detenção e declarou que quer que a violência acabe. "Não queremos palavras, queremos ações", disse.
Jamila Abdul apontou: "A Palestina está sendo exterminada hoje em Gaza e na Cisjordânia de diversas formas".
Essa mobilização diplomática ocorre após, na semana passada, Israel lançar uma grande ofensiva para tomar a Cidade de Gaza, após quase dois anos de guerra contra o movimento islamista Hamas, um conflito que estourou após o ataque de combatentes palestinos em território israelense em 7 de outubro de 2023.
No ataque, morreram 1.219 pessoas, a maioria civis, segundo dados oficiais. A ofensiva de represália do exército israelense em Gaza já matou mais de 65.300 palestinos, a maioria civis, segundo o Ministério da Saúde do governo do Hamas, que tomou o poder na Faixa em 2007.
"Se querem reconhecer algo, têm que reconhecer o genocídio que está acontecendo hoje e acabar com essas atrocidades e punir Israel por esses crimes", declarou Abdul.
L.Wyss--VB