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Khamenei diz que Irã não cederá a pressões para cessar enriquecimento de urânio
O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, afirmou nesta terça-feira (23) que o país não cederá às pressões para interromper o enriquecimento de urânio e que as negociações com os Estados Unidos sobre o programa nuclear iraniano não trazem benefícios para a República Islâmica.
Os Estados Unidos "têm sido inflexíveis ao dizer que o Irã não deve enriquecer urânio", declarou Khamenei em discurso transmitido pela televisão.
"Não nos rendemos nem nos renderemos. Não cedemos nem cederemos a pressões nesse assunto ou em qualquer outro", acrescentou.
O líder supremo falou dias depois de o Conselho de Segurança da ONU ter aprovado, na sexta-feira, a reimposição de sanções internacionais contra Teerã por seu programa nuclear. As restrições econômicas devem entrar em vigor no domingo (28) caso não haja acordo diplomático.
Para Khamenei, negociar com Washington "não apenas não traz qualquer benefício, como também causa danos significativos nas condições atuais, alguns dos quais poderiam até ser descritos como irreparáveis".
Em 2015, o Irã firmou um acordo internacional com Alemanha, China, Reino Unido, França, Estados Unidos e Rússia para limitar seu programa nuclear para fins civis, em troca do levantamento das sanções internacionais.
No entanto, em 2018, durante o primeiro mandato de Donald Trump, os Estados Unidos se retiraram unilateralmente do pacto, restabelecendo sanções contra Teerã, que progressivamente deixou de cumprir seus compromissos.
"Não devemos esquecer a experiência destes últimos dez anos", ressaltou Khamenei, acusando os Estados Unidos de "descumprirem constantemente suas promessas", além de mentirem e ameaçarem militarmente "sempre que têm oportunidade".
Na ONU, o chanceler iraniano Abbas Araghchi se reuniu com representantes da Alemanha, França, Reino Unido e da União Europeia em uma última tentativa de evitar o restabelecimento das sanções antes do prazo final de domingo.
E.Gasser--VB