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Venda de maconha a turistas, uma 'mudança possível' no Uruguai
A venda de maconha a turistas em farmácias do Uruguai é uma "mudança possível", que faz parte de uma proposta em discussão no governo do presidente Yamandú Orsi, informou nesta sexta-feira (20) a máxima autoridade nacional em temas relacionados às drogas.
O Poder Executivo poderia alterar por decreto parte da regulamentação da lei promovida pelo ex-presidente José Mujica. Fontes do governo esquerdista de Orsi, que era apoiado por Mujica, disseram à AFP que a proposta deve ser discutida em um Conselho de Ministros, nos próximos meses.
Em 2013, o Uruguai se tornou o primeiro país a legalizar e regulamentar a produção e o consumo de cannabis. A segunda avaliação da lei, apresentada hoje, destacou o avanço da regulamentação, mas afirmou que as restrições no acesso à droga geraram um mercado paralelo, que redistribui parte da substância obtida pelas vias reguladas.
O secretário-geral da Junta Nacional de Drogas, Gabriel Rossi, confirmou que o conselho diretor do Instituto de Regulação e Controle da Cannabis (IRCCA), que assessora o Executivo, apresentou um relatório que inclui a avaliação da venda a estrangeiros não residentes. "Consideramos possível a aprovação da proposta, mas isso vai depender da visão política", ressaltou.
Para Rossi, trata-se de garantir "condições de máxima segurança sanitária" ao permitir que estrangeiros não residentes tenham acesso ao mercado regulado.
A apresentação do relatório destacou a redução drástica no número de consumidores que recorrem ao narcotráfico clássico (prensado) para obter a substância, que passou de 58,6% em 2014 para 6,7% em 2024. No fim desse ano, 37,4% dos consumidores maiores de 18 anos acessaram a maconha por vias legais.
O diretor-executivo do IRCCA, Martín Rodríguez, considerou os resultados animadores, "no contexto de uma regulamentação que precisa de melhoras".
G.Frei--VB