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Powell adverte sobre risco de inflação se Fed cortar taxas 'de forma muito agressiva'
O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, advertiu nesta terça-feira (23) que reduzir as taxas de juros rápido demais pode deixar a inflação em níveis elevados, embora tenha ressaltado que o banco central enfrenta desafios duplos pela frente.
“Não existe um caminho livre de riscos”, disse em um evento em Rhode Island. “Se afrouxarmos a política de forma muito agressiva, podemos deixar o trabalho da inflação inacabado e ter que reverter mais tarde para restaurar a meta de 2%.”
“Se mantivermos a política restritiva por muito tempo, o mercado de trabalho pode enfraquecer desnecessariamente”, acrescentou.
Na semana passada, o Fed fez o primeiro corte do ano, reduzindo a taxa básica em 25 pontos-base, em uma decisão amplamente esperada. A medida ocorreu sob forte pressão do presidente Donald Trump, que tem criticado Powell repetidamente — chegando a chamá-lo de “cabeça-dura” — por manter as taxas inalteradas.
As declarações do dirigente ressaltam o equilíbrio delicado que a instituição busca entre a estabilidade de preços e o pleno emprego, com a inflação ainda acima da meta de 2% e sinais de enfraquecimento no mercado de trabalho.
Somente o novo funcionário do Fed, Stephen Miran, indicado por Trump, votou contra a decisão e defendeu um corte maior, de 50 pontos-base.
Enquanto isso, embora parte dos dirigentes projete mais dois cortes até o fim do ano, outros não preveem reduções adicionais.
Powell destacou que a recente alta de preços de bens parece refletir sobretudo tarifas mais elevadas.
O repasse dessas tarifas ao consumidor ocorreu de forma mais lenta que o esperado, mas projeções apontam que pode se prolongar até o próximo ano.
Ele assegurou que o Fed atuará para evitar que o aumento pontual nos custos, causado pelas tarifas impostas por Trump, se transforme em problema inflacionário persistente.
A atual posição do banco central o deixa “bem colocado para responder a eventuais desenvolvimentos econômicos”, afirmou Powell. Mas reconheceu que a trajetória da inflação segue incerta, ao mesmo tempo em que aumentam os riscos no emprego, com queda acentuada na criação de postos de trabalho.
Os impactos mais amplos das mudanças na política comercial, migratória, fiscal e regulatória ainda permanecem incertos, acrescentou.
T.Zimmermann--VB