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Taiwan recebe presidente do Paraguai e China insta Assunção a 'romper' essa relação
Taiwan estendeu o tapete vermelho, nesta sexta-feira (8), para receber o presidente paraguaio, Santiago Peña, em uma tentativa de fortalecer os laços com seu único aliado sul-americano, a quem a China instou a romper relações com Taipei.
A nação insular democrática tem apenas 12 parceiros diplomáticos em todo o mundo, depois que Pequim, que reivindica Taiwan como parte de seu território, garantiu o apoio dos demais em uma campanha para acabar com a autonomia desse território de governo autônomo.
Na América Latina, Taiwan mantém relações recíprocas apenas com Assunção, Belize, Guatemala, Haiti e algumas nações insulares do Caribe.
Durante a visita do presidente Peña a Taiwan, o Ministério das Relações Exteriores da China instou "as autoridades paraguaias a tomarem o lado certo da história o mais rápido possível e a fazerem a escolha correta: reconhecer o princípio de 'uma só China' e romper suas relações diplomáticas com as autoridades de Taiwan", disse o porta-voz Lin Jian.
Peña lidera uma delegação de autoridades e representantes empresariais em uma visita de quatro dias e descreveu Taiwan como um "parceiro fundamental" para seu país, cuja relação bilateral remonta a 1957.
O presidente Lai Ching-te recebeu Peña com honras militares, incluindo uma salva de canhão e um tapete vermelho, antes de uma reunião privada.
Lai agradeceu a Peña e ao seu governo "pela longa defesa de Taiwan no cenário internacional".
"Taiwan e Paraguai são parceiros firmemente comprometidos com os valores da democracia, da liberdade e dos direitos humanos", disse o líder taiwanês.
Peña, por sua vez, afirmou que "o Paraguai valoriza profundamente essa relação e reitera seu compromisso de continuar apoiando Taiwan em uma aliança estratégica baseada em valores compartilhados".
Desde sua chegada na quinta-feira, o líder latino-americano se reuniu com a vice-presidente de Taiwan, Hsiao Bi-khim, e outros ministros de alto escalão.
- "Pressões crescentes" -
Durante seu encontro com Lai, Peña condenou a pressão militar e econômica da China sobre Taiwan e afirmou que Taipei tem o "direito soberano de se relacionar livremente com outros países, sem interferências indevidas que visem isolá-la internacionalmente".
"O Paraguai reafirma sua condenação às manobras militares da República Popular da China perto de Taiwan e às pressões econômica crescentes exercidas por Pequim", disse o presidente paraguaio.
Enquanto isso, o Parlamento de Taiwan aprovou, nesta sexta-feira, um projeto de lei de gastos com defesa no valor de 25 bilhões de dólares (122 bilhões de reais), que, segundo parlamentares da oposição, será destinado à compra de armas americanas. Esse valor fica muito aquém do orçamento de quase 40 bilhões de dólares (196 bilhões de reais) solicitado pelo governo.
Durante este encontro, Paraguai e Taiwan planejam assinar acordos de assistência jurídica mútua em matéria penal, cooperação em segurança cibernética e um projeto conjunto de investimento paraguaio-taiwanês em inteligência artificial e infraestrutura de computação.
A visita de Peña ocorre dias depois do retorno de Lai de uma viagem oficial a Essuatíni, único aliado de Taiwan na África.
A ilha acusou a China de tentar impedir a chegada de Lai a Essuatíni, exercendo "forte pressão" sobre as ilhas Seychelles, Maurício e Madagascar para revogar as autorizações de sobrevoo para a sua viagem original, que estava agendada para 22 a 26 de abril e foi cancelada no último minuto.
Lai acabou utilizando avião do rei de Essuatíni para a visita.
A última viagem oficial de Lai ao exterior foi em novembro de 2024, quando visitou os aliados de Taiwan no Pacífico e fez escala no território americano de Guam.
Peña anunciou em julho de 2025 que Lai visitaria o Paraguai no mês seguinte. No entanto, segundo relatos da imprensa, a administração Trump negou a Lai permissão para fazer escala em Nova York no ano passado, como parte de uma viagem oficial à América Latina.
O Ministério das Relações Exteriores de Taiwan negou que ele tenha sido impedido de entrar no país.
P.Keller--VB