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Ataques de rebeldes separatistas deixam mais de 70 mortos no Paquistão
Pelo menos 10 agentes das forças de segurança, cinco civis e mais de 50 insurgentes morreram em ataques "coordenados" executados por separatistas do Baluchistão em vários pontos do sudoeste do Paquistão, informaram as autoridades neste sábado (31).
O governo paquistanês luta há várias décadas contra uma rebelião separatista no Baluchistão, uma região pobre na fronteira com o Irã e o Afeganistão, cujo subsolo possui grandes reservas minerais e de hidrocarbonetos.
O Exército de Libertação do Baluchistão, o grupo separatista mais ativo na província, reivindicou os ataques em um comunicado.
O grupo afirmou que atacou instalações militares e funcionários da polícia e da administração civil em ações armadas e atentados suicidas. Também bloqueou rodovias para sabotar as forças de segurança.
A ofensiva ocorreu um dia após o anúncio do Exército paquistanês de que matou 41 rebeldes separatistas do Baluchistão.
Os separatistas "executaram ataques coordenados esta manhã em mais de 12 locais", incluindo a capital da província, Quetta, disse à AFP, sob anonimato, um funcionário das forças de segurança.
Dez membros das forças de segurança morreram e vários ficaram feridos, informou a mesma fonte, que também citou as mortes de 58 separatistas nos confrontos posteriores aos ataques.
Os atentados também mataram civis.
Cinco membros da mesma família, incluindo uma mulher e três crianças, morreram nas ações dos separatistas na região portuária de Gwadar.
Uma fonte militar na capital, Islamabad, confirmou os ataques e disse que foram "coordenados, mas executados de forma medíocre devido ao planejamento ruim" dos rebeldes.
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, elogiou as forças de segurança e prometeu "continuar a guerra contra o terrorismo até sua completa erradicação". Fontes policiais indicaram, no entanto, que a situação ainda não está totalmente sob controle.
Em Quetta, um correspondente da AFP ouviu diversas explosões durante uma grande operação de segurança na cidade. Muitas ruas estavam desertas e as lojas permaneceram fechadas.
"A polícia aponta as armas na nossa direção e afirma que temos que sair, se não queremos ser agredidos. O que vamos fazer?" questiona Abdul Wali, 38 anos, que precisava atravessar a cidade para visitar a mãe hospitalizada.
Baluchistão é a província mais pobre do Paquistão, apesar de sua riqueza em minerais e hidrocarbonetos, explorados principalmente por empresas chinesas.
Nos últimos anos, os separatistas intensificaram os ataques contra paquistaneses procedentes de outras províncias que trabalham na região. Também atacaram empresas estrangeiras do setor de energia.
O ano de 2024 foi particularmente violento, com mais de 1.600 mortos, quase metade soldados e policiais, segundo o Centro de Pesquisa e Estudos de Segurança de Islamabad.
A.Zbinden--VB