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Colômbia escolhe entre candidato pró-Trump e herdeiro político da esquerda no poder
Colômbia aposta em asfixiar o narcotráfico com apoio de Equador e Venezuela, diz ministro
A Colômbia trabalha em uma estratégia de "asfixia total" dos grupos armados para encurralá-los nas zonas de fronteira com o apoio do Equador e da Venezuela, disse à AFP o ministro da Defesa, Pedro Sánchez.
Com respaldo e pressão dos Estados Unidos, Equador e Venezuela tentam sufocar os grupos armados que usam seus territórios para traficar a cocaína colombiana até as costas e centros urbanos da América do Norte e da Europa.
Ao longo do prolongado conflito armado na Colômbia, as guerrilhas historicamente utilizaram os países vizinhos como retaguarda para fugir e se proteger das forças locais.
Mas isso está mudando, segundo o ministro do primeiro governo de esquerda da história do país.
"Esperamos que se gere uma asfixia total entre ambas as nações para que não tenham espaços onde possam viver ou se sentir seguros (...) para que se feche o espaço que poderiam ter", afirmou Sánchez em entrevista em seu gabinete em Bogotá na segunda-feira (16), a menos de cinco meses do fim do mandato do presidente Gustavo Petro.
Após a queda e captura de Nicolás Maduro na Venezuela em uma operação militar americana, o presidente Donald Trump passou a influenciar o novo poder em Caracas. Desde então, a presidente Delcy Rodríguez implementa uma política antidrogas renovada.
Do lado equatoriano, o presidente Daniel Noboa é um dos principais aliados de Washington na região na luta contra os cartéis. No domingo, iniciou um plano de duas semanas com toques de recolher rigorosos para combater as quadrilhas com apoio americano.
Segundo Sánchez, isso coloca as organizações ilegais em um beco sem saída.
"Acho espetacular o que estão fazendo lá (...), que no Equador estejam tomando decisões fortes para combater o narcotráfico (...), que comecem a bloquear lá ajuda muito o esforço que estamos fazendo aqui", afirmou.
Apesar disso, Noboa e Petro, em campos políticos opostos, enfrentam uma disputa tarifária iniciada por Quito, que acusa a Colômbia de negligência no combate a grupos armados na fronteira.
- "Isolamento internacional" -
Sánchez lamentou que a guerrilha Exército de Libertação Nacional (ELN) "segue forte" na fronteira com a Venezuela, onde mantém rotas para tráfico de drogas, mineração ilegal e ataques à infraestrutura petrolífera.
Segundo ele, o grupo tem cerca de 3.800 combatentes na região, dos quais 40% são venezuelanos.
O ministro visitou Caracas na sexta-feira como parte de uma delegação do governo colombiano para estreitar laços com Rodríguez, após o cancelamento de um encontro entre os presidentes.
Segundo Sánchez, a reunião entre ministros marcou o início de uma estratégia de "isolamento internacional" contra o narcotráfico: "Está sendo dito a esses grupos criminosos: 'vocês não têm espaço aqui'".
Fontes do governo colombiano indicam que ameaças de segurança motivaram o cancelamento do encontro entre Petro e Rodríguez.
- "Seguem crescendo" -
Após meses de tensão, Petro e Trump reduziram divergências depois de uma reunião na Casa Branca em fevereiro.
Ainda assim, a Colômbia não integra a aliança de 17 países criada pelos Estados Unidos para combater o narcotráfico na região, chamada "Escudo das Américas", embora Sánchez diga que a adesão "é uma possibilidade".
Na reta final do mandato e sem possibilidade de reeleição, Petro intensifica a perseguição a chefes do narcotráfico, em mudança de rumo após sua frustrada política de negociações de paz.
Sánchez afirmou que, se pudesse voltar atrás, mudaria os cessar-fogos concedidos durante as negociações: "Ser conscientes de que há diálogos, mas também estamos atuando como Estado".
Apesar das recentes capturas e mortes de líderes do crime organizado, como Sebastián Marset e Nemesio Oseguera, o ministro é cético sobre os efeitos duradouros.
"A única coisa que lhes interessa é o dinheiro (...), podem até se matar entre si, mas seguem crescendo", concluiu.
L.Stucki--VB