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Bolívia reduz bloqueios a estradas fechadas por opositores ao presidente
Os bloqueios a estradas reduziram de cerca de 50 para 28 na Bolívia neste domingo (21), um dia após um estado de exceção entrar em vigor. Caminhões com combustíveis começaram a entrar em La Paz depois de sete semanas de protestos contra o governo, informaram fontes oficiais.
A administradora estatal de rodovias informou que neste domingo havia 28 pontos de bloqueio nos departamentos de La Paz, Oruro (oeste) e Cochabamba (centro).
Após a liberação de estradas no Altiplano, dezenas de caminhões com gasolina e diesel começaram a trafegar pelos Andes em direção a La Paz que, junto com a vizinha El Alto, sofre uma forte escassez de produtos.
O presidente de centro-direita Rodrigo Paz decretou a proibição das manifestações que há mais de seis semanas vinham sendo realizadas por agricultores, indígenas e trabalhadores de mineração e ordenou a policiais e militares que restabelecessem a circulação de pessoas e mercadorias.
O mal-estar social eclodiu devido à crise econômica, a mais grave em 40 anos, e à venda de gasolina de má qualidade que danificou milhares de veículos.
As manifestações ainda são mantidas por agricultores e indígenas da organização Túpac Katari e por produtores de coca apoiadores do ex-presidente Evo Morales (2006-2019), apesar de o governo ter alcançado um acordo com a majoritária Central Obrera Boliviana para suspender os protestos.
Forças combinadas de policiais e militares, com apoio de escavadeiras, realizam neste domingo a limpeza entre La Paz e Oruro pelo segundo dia consecutivo e de maneira pacífica, informou à AFP uma fonte do Ministério da Defesa que pediu anonimato. A rota é fundamental para a entrada de combustíveis provenientes do Chile.
O ministro de Hidrocarbonetos, Marcelo Blanco, informou separadamente que "estão chegando caminhões-tanque, o objetivo do decreto (de exceção) era liberar o país desse bloqueio".
O presidente Paz, que recebeu forte apoio político dos Estados Unidos e de governos conservadores da região, acusa Evo Morales de liderar os protestos e de receber apoio financeiro do narcotráfico, sem apresentar provas.
Paz não descarta a detenção de Morales, refugiado na região do Chapare após uma ordem de prisão emitida contra ele por um caso de tráfico de uma menor, denunciado pelo ex-presidente como perseguição política.
G.Frei--VB