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IA não consegue competir com criatividade em Hollywood, diz executivo
A inteligência artificial avança com força em Hollywood e sacode a indústria do cinema, mas a criatividade humana sempre prevalecerá, assegurou em entrevista à AFP um executivo da plataforma Artlist, na vanguarda nesse setor.
A irrupção da IA foi um tema dominante na conferência de tecnologia e cultura South by Southwest (SXSW), realizada esta semana em Austin, Texas, onde o aclamado cineasta Steven Spielberg deixou clara sua posição.
"Até agora nunca usei IA em nenhum dos meus filmes. Temos uma sala de roteiristas. Todas as cadeiras estão ocupadas", disse Spielberg. "Não sou a favor da IA se ela substituir uma pessoa criativa", acrescentou.
Joshua Davies, diretor de inovação da Artlist — plataforma de vídeo com IA que se consolidou como fornecedora de ferramentas criativas para cineastas — enfatizou que a tecnologia nunca ofuscará a criatividade humana.
"Se você der a mesma ferramenta de IA a um técnico e a uma pessoa criativa e pedir que façam algo, eu já sei qual preferiria ver no final", disse à AFP Davies, fundador da empresa de software de edição de vídeo FXhome, adquirida pela Artlist em 2021.
O executivo reconheceu que as preocupações do setor não são infundadas, já que os novos modelos de vídeo com IA "assustaram todo mundo".
Não só por questões de direitos autorais e de direito à própria imagem, mas também pela pergunta fundamental sobre qual será o futuro da produção de cinema e televisão com essa tecnologia.
"Se um filme do ‘Homem de Ferro’ fosse estrear em 2027 ou 2028, recorreria a vários estúdios de efeitos visuais? Esperaria que usassem IA? Todos nós estamos tentando encontrar o nosso lugar", assinalou.
Mais do que substituir completamente as filmagens, Davies vê as ferramentas da Artlist como uma forma de "preencher as partes que não são possíveis, ou que não foram filmadas, ou para as quais não há orçamento".
- "Santo Graal" -
Mas editores, especialistas em efeitos visuais e outros profissionais de Hollywood estão alarmados com o rápido avanço da IA generativa.
Eles temem que ferramentas capazes de produzir imagens com qualidade profissional, a um custo muito inferior ao dos métodos tradicionais, acabem destruindo setores inteiros do mercado de trabalho.
Os grandes estúdios estão avaliando como integrar a IA na produção de filmes, o que deixa entrever mudanças importantes em um setor que já passou por um período difícil após a pandemia e a greve de roteiristas de 2023.
A Artlist chamou a atenção em fevereiro ao produzir um anúncio para a última edição do Super Bowl em menos de cinco dias, utilizando suas próprias ferramentas, por um custo muito inferior aos milhões de dólares normalmente gastos em publicidade para esses grandes eventos esportivos.
Davies refutou a ideia de que esse anúncio representasse o futuro da produção sem intervenção humana. Segundo ele, tratou-se mais de criativos “usando a ferramenta para tirar o máximo proveito dela”.
Davies explicou que a Artlist busca oferecer aos criadores um controle preciso sobre a criação ou a edição de sequências, algo que define como o “Santo Graal” da empresa.
Para ele, os atuais modelos de IA lidam relativamente bem com planos fixos simples, mas têm dificuldades com movimentos de câmera complexos e em manter um desempenho consistente ao longo de várias tomadas.
- "O elemento humano" -
No que diz respeito aos custos, Davies advertiu contra expectativas pouco realistas e sugeriu que a IA reduzirá significativamente as despesas de produção, mas não as eliminará.
O executivo espera que, a longo prazo, a IA ajude os cineastas independentes e os criadores de conteúdo que atualmente não têm recursos para levar adiante seus projetos.
"Há youtubers que realizam algumas das melhores sequências de ação que existem, sem nenhum orçamento", observou.
"A IA vai nivelar completamente as regras do jogo: o que vai importar será a história", afirmou.
Davis mostrou-se prudentemente otimista em relação ao futuro do setor e descartou os cenários mais distópicos.
"A ideia de que, no fim, ninguém vá ter trabalho não se sustenta do meu ponto de vista", porque tudo encontra seu equilíbrio e "o elemento humano é aquilo de que sentimos falta", concluiu.
A.Ruegg--VB