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Putin e presidente da Síria trocam elogios em reunião sobre bases militares russas
O presidente sírio, Ahmed al-Sharaa, visitou o presidente russo, Vladimir Putin, em Moscou, nesta quarta-feira (28), para uma reunião focada no futuro das bases militares russas na Síria, que o Kremlin considera vitais para suas operações no Oriente Médio.
No segundo encontro entre os dois chefes de Estado desde a deposição de Bashar al-Assad em 2024, Putin enfatizou que, desde então, "muito foi conquistado na restauração" das relações.
Al-Sharaa falou sobre o "papel histórico" da Rússia "não apenas na unidade e estabilidade da Síria, mas também na de toda a região", durante a reunião televisionada.
Durante o encontro, Putin também destacou que "acompanhou de perto os esforços para restaurar a integridade territorial da Síria".
"Quero parabenizá-los pelo impulso que esse processo está ganhando", disse ele, aparentemente referindo-se à recente ofensiva das tropas governamentais contra as forças curdas no nordeste da Síria.
A Rússia retirou nesta semana suas forças e armamentos do aeroporto de Qamishli, na zona autônoma curda do nordeste da Síria, constatou um jornalista da AFP no local. Moscou havia deslocado suas forças para esta região no fim de 2019, em virtude de um acordo com a Turquia.
As forças curdas ainda controlam Qamishli, mas sofreram um revés importante nas últimas semanas diante do exército sírio, ao qual tiveram de ceder extensas áreas do norte e nordeste da Síria.
A Rússia mantém duas bases no país: a base aérea de Khmeimim, localizada próxima ao aeroporto de Latakia, e a base naval de Tartus, na costa do Mediterrâneo.
Antes da reunião, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, expressou otimismo quanto ao futuro da mobilização militar.
Peskov se recusou a comentar sobre Assad, um assunto delicado, pois o ex-presidente sírio e sua esposa vivem exilados na Rússia. Al-Sharaa pressiona Moscou para extraditá-lo.
A visita do presidente sírio ocorre em meio a temores entre europeus e americanos de que jihadistas, particularmente os do Estado Islâmico (EI), recuperem terreno na Síria.
A Rússia foi um aliado fundamental de Assad durante a sangrenta guerra civil de 14 anos, com bombardeios em regiões da Síria controladas por rebeldes e forças islamistas, incluindo a facção de al-Sharaa. Sua queda desferiu um duro golpe à influência da Rússia na região.
Os Estados Unidos aplaudiram a queda e estreitaram os laços com al-Sharaa, mesmo quando Damasco atacou as forças curdas que receberam apoio do Ocidente por muito tempo.
M.Schneider--VB