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Mianmar encerra última rodada de eleições convocadas pela junta militar
Os birmaneses votaram neste domingo(25) na última fase das eleições legislativas, nas quais um partido pró-militar desponta como vencedor do processo, criticado como uma manobra para consolidar o poder da junta cinco anos após o golpe de Estado.
Os colégios eleitorais fecharam às 16h locais (6h30 em Brasília) após a terceira e última fase destes pleitos, que se prolongaram por um mês no país do Sudeste Asiático.
Desde a sua independência em 1948, Mianmar foi governada por regimes militares até que os generais cederam lugar a um governo civil para uma década de reformas.
Esse parêntese democrático terminou em 2021 com um golpe de Estado militar e a detenção da ex-líder e Prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, o que mergulhou o país em uma guerra civil e crise humanitária.
A junta afirma que as eleições permitirão o retorno da democracia, mas na realidade não podem ser realizadas em vastas zonas controladas pelos rebeldes e, além disso, o partido de Aung San Suu Kyi, ainda presa, foi dissolvido.
O governista Partido da União, Solidariedade e Desenvolvimento (PUSD) está na liderança para obter uma vitória esmagadora.
- "O caminho escolhido" -
O chefe da junta, Min Aung Hlaing, afirmou neste domingo que estas eleições são “o caminho escolhido pelo povo”. “O povo de Mianmar pode apoiar quem quiser apoiar”, declarou a jornalistas em um centro eleitoral de Mandalay, a segunda maior cidade do país.
Uma habitante de Yangon de 34 anos, que pediu para permanecer anônima por motivos de segurança, declarou à AFP que “não espero nada destas eleições (...) Simplesmente acho que as coisas continuarão estagnadas”.
Jornalistas da AFP observaram as votações em Mandalay, onde o professor de 53 anos Zaw Ko Ko Mying foi às urnas cedo. “Ainda que não espere muito, quero ver um país melhor”, comentou. “Fico aliviado após votar, é como cumprir o meu dever”.
Nas duas primeiras fases das eleições, o PUSD, considerado por especialistas como um braço civil da junta, obteve mais de 85% dos assentos da Câmara Baixa em disputa e dois terços dos da Câmara Alta.
A Constituição, redigida pelo exército, reserva ainda um quarto dos assentos de cada casa às forças armadas. As duas câmaras legislativas deverão escolher o presidente, e o chefe da junta, Hlaing, não descartou a possibilidade de se candidatar ao cargo.
Segundo analistas, os militares realizam uma eleição controlada para conferir ao seu governo um verniz de legitimidade civil.
Os resultados oficiais poderão ser conhecidos mais tarde esta semana, embora o PUSD possa proclamar sua vitória na segunda-feira.
G.Schmid--VB