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Câmara de Representantes vota por fim do 'shutdown' mais longo da história dos EUA
A paralisação governamental ('shutdown') mais longa da história dos Estados Unidos se encaminhava para um provável fim, nesta quarta-feira (12), na Câmara de Representantes, onde a maioria republicana conseguiu se esquivar das demandas mais exigentes dos democratas.
O presidente Donald Trump "está ansioso para pôr fim a este fechamento devastador causado pelos democratas e esperamos que a assinatura ocorra esta noite", declarou a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, em entrevista coletiva.
Após 43 dias de fechamento parcial, a matemática parlamentar favorece os republicanos, que têm uma maioria muito apertada no Congresso, mas demonstraram até agora maior disciplina de voto em ambas as câmaras.
Os democratas, por outro lado, parecem divididos entre uma liderança que quer manter a queda de braço com o governo e certos legisladores moderados que já romperam fileiras e chegaram a um acordo sob certas condições.
- Debate sobre a saúde -
O Senado votou na segunda-feira a favor do fim do fechamento, graças à participação de oito democratas e à oposição de apenas um republicano.
Os esforços dos democratas para tentar reabrir a grande discussão sobre os subsídios para a cobertura de saúde acabaram frustrados.
O Senado votou por reenviar à Câmara dos Representantes um texto que não se compromete em nada nesta frente.
Os republicanos se limitaram a prometer um debate separado, a curto prazo, sobre os auxílios para milhões de americanos pagarem sua cobertura de saúde.
O Comitê de Regras da Câmara dos Representantes anunciou, nesta quarta-feira, que já aprovou por oito votos a favor e quatro contrários à lei para financiar o governo, o que permitirá reabrir as agências federais. Isso indica que sua aprovação definitiva é provável no plenário.
O presidente da Câmara de Representantes, Mike Johnson, e o líder da maioria republicana no Senado, John Thune, demonstraram firmeza ao longo de semanas de enorme pressão, que incluiu cancelamentos de voos em todo o país devido à falta de controladores aéreos, que não receberam salário durante quase dois meses.
"É muito triste. Fecharam o governo por mais de 40 dias, e para quê?", acrescentou o líder da bancada republicana na Câmara, Tom Emmer.
- Nervosismo dos democratas -
"A assistência médica das pessoas neste país está prestes a se tornar impagável", afirmou Jeffries.
A polêmica reside no "Obamacare", a reforma de saúde aprovada durante a presidência do democrata Barack Obama, que representava uma primeira tentativa de introduzir uma cobertura de saúde pública universal em todo o país.
Esta cobertura, que a Suprema Corte determinou que não podia ser obrigatória, tem subsistido graças aos créditos fiscais aprovados pelos democratas.
Diante da crise da pandemia do coronavírus, o democrata Joe Biden estendeu e ampliou uma série de subsídios em 2022 para ajudar milhões de americanos a pagar essa cobertura de saúde. O prazo dos auxílios expira no final do ano, o que pode fazer com que os valores subam consideravelmente.
Os republicanos argumentam que esses subsídios deveriam ajudar apenas os setores mais desfavorecidas e não serem estendidos de forma indiscriminada.
Durante os acalorados debates sobre o "shutdown" do governo, os republicanos também acusaram os democratas de quererem beneficiar milhões de imigrantes em situação irregular com esses subsídios.
As pesquisas mostraram que a maioria da população atribuía a Trump e aos republicanos a responsabilidade pelo fechamento do governo, já que eles dominam a Casa Branca e o Congresso. Mas sua unidade permaneceu quase sem fissuras, enquanto a indignação crescia na opinião pública.
O nervosismo acabou pesando mais nas fileiras democratas, que há apenas uma semana comemoravam uma série de vitórias em seus redutos eleitorais, incluindo a eleição de Zohran Mamdani, um candidato que se autodeclara socialista, para comandar a Prefeitura de Nova York.
A renovação geracional está se acelerando neste partido. A veterana líder na Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, anunciou sua aposentadoria na semana passada, e Schumer aparece cada vez mais questionado no Senado.
L.Stucki--VB