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Economia de Chicago em xeque pelas operações contra imigrantes
As lojas de roupas do bairro Little Village, em Chicago, costumavam ficar lotadas, refletindo o otimismo das famílias latinas que conseguiram se estabelecer nos Estados Unidos. Agora, tudo isso acabou.
Os comércios desta cidade no norte do país que dependem, em grande parte, da comunidade latina estão com o futuro ameaçado devido às operações policiais ordenadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Os imigrantes, com ou sem documentos em dia, têm medo de sair às ruas.
Em Little Village, conhecido como o México do Meio-Oeste, as ruas estão desertas há meses; as obras, abandonadas.
Uma das dezenas de lojas dedicadas às 'quinceañeras' (festas de 15 anos) do bairro, onde as famílias compram vestidos luxuosos para a celebração, fechou suas portas de forma definitiva em setembro.
Para Ariella Santoyo, proprietária da My Quince World, o efeito bola de neve da repressão em uma economia de imigrantes de bilhões de dólares lembra os tempos sombrios da covid-19.
"Notamos claramente uma queda este ano", do retorno de Trump ao poder, explica Santoyo, de 38 anos, enquanto borda um vestido.
A proprietária disse à AFP que seu faturamento caiu "cerca de 40%" desde que os agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) intensificaram as detenções de todos que parecem ser latinos, sejam cidadãos americanos ou imigrantes com ou sem permissão de residência.
Mike Muhammad, funcionário de um supermercado de temática latina, lamenta a situação. "As pessoas não vêm mais", diz ele.
O medo das autoridades também tem forte efeito sobre o setor de construção civil. "Ninguém vem trabalhar. Eles têm medo", relata um empresário sob condição de anonimato.
- Economia da imigração -
A falta de trabalho, de renda e os preços altos dos produtos importados, devido às tarifas impostas pelo presidente republicano, afundam muitos dos milhões de imigrantes nos EUA em um poço de precariedade.
Mas o efeito dominó destas políticas de Trump ameaça a economia do país.
Os imigrantes têm um peso importante no consumo, o grande motor da locomotiva da primeira economia mundial. Em 2023, gastaram 1,6 trilhão de dólares (R$ 7,7 trilhões, na cotação da época), segundo a associação de juristas American Immigration Council, quase 9% do consumo total.
E o impacto é maior em Chicago, onde, segundo o censo de 2025, 30% dos 2,7 milhões de habitantes são hispânicos ou latinos.
O prefeito da cidade, o democrata Brandon Johnson, que entrou em conflito com o presidente republicano devido às operações do ICE, alertou para problemas financeiros maiores se a economia dos imigrantes for afetada.
"O presidente Trump está literalmente minando a capacidade econômica de cidades como Chicago", disse Johnson recentemente.
- "Ato de terrorismo" -
Alguns moradores se reuniram para patrulhar as ruas com o objetivo de alertar sobre operações do ICE.
"Estes agentes percorrem os bairros buscando pessoas específicas e isso dá medo", conta Davis, membro do grupo Pilsen Defense Access, durante uma patrulha no bairro de Pilsen.
Ele destaca o medo que muitos imigrantes têm de sair às ruas. "Para mim, é um ato de terrorismo", afirma sobre as incursões.
Na Maratona de Chicago, entretanto, muitos imigrantes saíram na manhã de domingo em Pilson agitando bandeiras do México.
Santoyo destaca que a repressão "reforça a solidariedade na comunidade, já que todos se ajudam mutuamente para superar estes momentos difíceis".
A mexicana Rosa, de 66 anos, assegura que sua comunidade está pior do que durante a covid-19: "Nem sequer podemos sair para trabalhar ou fazer compras". No entanto, sem os imigrantes, "onde estaria este país?", questionou.
H.Gerber--VB