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Trump e Carney têm reunião amigável mas sem acordos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, vai embora "muito feliz" após as conversas comerciais desta terça-feira (7) entre os dois na Casa Branca, mas não fez concessões imediatas sobre as tarifas elevadas que impôs ao país vizinho.
Trump elogiou Carney como "um líder de classe mundial" e ressaltou que ele é "um homem agradável", que também pode ser "muito desagradável".
Ao contrário de outros aliados dos Estados Unidos, o Canadá ainda não conseguiu fechar um acordo para frear a guerra comercial de Trump.
"Acho que vão embora muito contentes", disse Trump ao lado de Carney no Salão Oval, na segunda visita do premiê canadense à Casa Branca desde abril. Nenhum dos dois deu detalhes de como as tarifas americanas sobre a madeira, o alumínio, o aço e os automóveis do Canadá poderiam ser aliviadas.
Carney expressou confiança de que o seu país vai conseguir "um bom acordo" com os Estados Unidos, seu maior parceiro comercial. Em comunicado após a reunião, ele comentou que os dois líderes reconheceram que havia áreas para a concorrência, e outras nas quais poderiam trabalhar juntos. "Estamos focados em construir essas novas oportunidades", publicou ele no X.
A guerra tarifária iniciada pelo governo Trump afetou a economia canadense e a relação entre os dois países, mas ambos os líderes se mostraram à vontade e chegaram a sorrir quando Trump brincou sobre uma "fusão" com o Canadá, referindo-se a seus pedidos prévios para que o país vizinho se tornasse o 51º estado americano.
O presidente americano anunciou ontem tarifas de 25% sobre os caminhões de carga a partir de 1º de novembro.
- 'Promessas quebradas' -
Carney, 60, chefiou o banco central do Reino Unido e entrou para a política recentemente, com uma campanha apoiada em sua vasta experiência em gestão de crises, para enfrentar as tarifas e os desejos de anexação de Trump.
Embora grande parte dos produtos canadenses esteja protegida pelo acordo comercial T-MEC — que inclui o México —, Trump pede que sejam revistas as condições quando forem renegociadas em breve.
O Canadá destina 75% de suas exportações aos Estados Unidos e registrou uma queda do PIB no segundo trimestre. O premiê enfrenta a pressão da oposição canadense.
"Se voltar com desculpas, promessas quebradas e sessões de fotos, terá falhado com nossos trabalhadores, com nossos negócios e com o nosso país", afirmou, na segunda-feira, o líder da oposição Pierre Poilievre, em carta aberta dirigida ao premiê.
Carney é criticado especialmente por fazer muitas concessões ao presidente americano e receber pouco em troca. Em junho, ele cancelou uma série de impostos contra gigantes tecnológicas dos Estados Unidos considerados escandalosos por Trump. Também eliminou várias tarifas impostas pelo governo anterior.
"Mark Carney não tem alternativa, tem que voltar de Washington com avanços", opinou o cientista político Daniel Beland, da universidade de McGill, em Montreal, para quem as áreas cruciais são o aço e o alumínio.
R.Braegger--VB