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Comitê reporta 361 jornalistas presos em 2024; China e Israel lideram lista
Um total de 361 jornalistas estavam presos no fim de 2024, denunciou nesta quinta-feira (16) o Comitê de Proteção dos Jornalistas (CPJ), destacando que China e Israel lideram essa lista.
A ONG, sediada em Nova York, aponta em seu relatório anual que 361 jornalistas e outros profissionais da imprensa estavam presos em 1º de dezembro de 2024, o maior número desde 2022, quando eles eram 370.
China, Israel e Mianmar, com 50, 43 e 35 jornalistas detidos, respectivamente, "emergiram como os três piores infratores do mundo, em outro ano recorde para os jornalistas presos por causa do seu trabalho", destacou o CPJ.
A ONG denunciou que "a censura onipresente" da China dificulta a determinação do número exato de jornalistas presos naquele país, e destacou o aumento do número de casos em Hong Kong.
"O aumento dos ataques a jornalistas quase sempre precede um aumento dos ataques a outras liberdades: a liberdade de dar e receber informações, a liberdade de se reunir e circular livremente, a liberdade de protestar", advertiu a diretora-executiva do Comitê, Jodie Ginsberg.
Israel, uma democracia multipartidária, raramente havia aparecido na lista anual de condenações à prisão antes do conflito mais recente na Faixa de Gaza, que começou em 2023. No entanto, "foi para o segundo lugar no ano passado, ao tentar silenciar a cobertura nos territórios palestinos ocupados", aponta o relatório, ressaltando que todos os jornalistas presos por Israel são palestinos.
A Ásia continua sendo a região com o maior número de jornalistas presos, com Vietnã (16), Afeganistão (2), Bangladesh (4), Índia (3) e Filipinas (1) somando-se às cifras líderes de China e Mianmar.
Na América Latina e no Caribe, a Venezuela lidera a lista, com três jornalistas presos no fim do ano passado. Nicarágua, Cuba e Guatemala, com um cada, integram a lista.
O CPJ ressaltou que esses números, comparativamente baixos, não devem ser considerados um indicador positivo, em uma região onde a instabilidade política e os regimes autoritários alimentam a repressão à imprensa.
Mais de 263 jornalistas fugiram da Nicarágua desde 2018, 26 deles nos seis primeiros meses de 2024, segundo a ONG Human Rights Watch.
O Haiti, por sua vez, não prende jornalistas, mas nove deles foram mortos desde 2022, a maioria por grupos criminosos. Segundo o Índice Global de Impunidade de 2024 do CPJ, o Haiti é o principal país onde os assassinos de jornalistas têm maior probabilidade de ficar impunes.
A.Ammann--VB