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Irã intensifica repressão com prisões e execuções durante a guerra
O Irã intensificou a repressão durante a guerra e a posterior trégua com os Estados Unidos, com uma onda de execuções e prisões, denunciaram ativistas, que pedem que os direitos humanos sejam incluídos nas negociações.
A trégua de duas semanas que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prolongou indefinidamente para beneficiar o diálogo não aliviou a repressão.
Quase diariamente, o regime dos aiatolás realiza enforcamentos de condenados considerados presos políticos e de pessoas detidas, às vezes por terem enviado vídeos a um meio de comunicação no exterior.
O caso mais recente ocorreu nesta quarta-feira: Mehdi Farid, condenado por associação à agência de espionagem israelense Mossad, informou o poder Judiciário.
Este cenário ocorre em um contexto de restrição da internet, com um "apagão" que, segundo o observatório Netblocks, começou há 53 dias.
"A libertação imediata de todos os presos políticos detidos antes ou depois da eclosão da guerra deve ser uma condição fundamental de qualquer acordo com a República Islâmica", avalia Mahmood Amiry-Moghaddam, diretor da ONG Iran Human Rights, sediada na Noruega.
Na terça-feira, essa organização afirmou que pelo menos 3.646 pessoas foram detidas desde que a guerra começou, em 28 de fevereiro. Destas, pelo menos 767 desde o início do cessar-fogo, em 8 de abril.
As acusações incluem espionagem, transmissão de imagens ou coordenadas de locais para meios de comunicação sediados no exterior, tentativa de estabelecer células operacionais ou posse de um terminal de internet Starlink.
Na terça-feira, as autoridades também executaram um oitavo homem pelas manifestações antigovernamentais de janeiro, que foram duramente reprimidas pelas forças de segurança.
Desde que as execuções foram retomadas em 19 de março, as autoridades iranianas também mataram oito membros do grupo de oposição Mujahedin do Povo (MEK), proibido no país.
A Iran Human Rights (IHR) teme que outros detidos tenham o mesmo destino, dado que "centenas de manifestantes enfrentam atualmente acusações que acarretam a pena capital, e pelo menos 30 já foram condenados à morte".
O chefe do Judiciário, Gholam-Hossein Mohseni-Ejei, ordenou julgamentos sumários para os presos pelos protestos. E na segunda-feira, afirmou que aqueles considerados "colaboradores de um agressor hostil" serão tratados "sem clemência".
- "Silêncio" -
Donald Trump afirmou na terça-feira ao Irã que poderia aumentar as chances de sucesso nas negociações de paz se libertar oito mulheres que, segundo ele, correm o risco de serem executadas.
O presidente americano reproduz a afirmação de um ativista pró-Israel nos Estados Unidos que sustenta, na rede X, que oito mulheres podem ser condenadas à forca, anexando à publicação oito fotografias sem nomes.
Segundo grupos de direitos humanos, incluindo o Centro Abdorrahman Boroumand, sediado nos EUA, uma mulher identificada como Bita Hemmati foi condenada à morte em relação aos protestos. Ela é acusada de jogar blocos de concreto de um prédio contra a polícia.
A organização com sede em Paris Juntos contra a Pena de Morte (ECPM, na sigla em francês) e o IHR relataram, na semana passada, pelo menos 48 mulheres executadas em 2025 no Irã. É o número mais alto em mais de 20 anos.
Entre os detidos está a advogada de direitos humanos Nasrin Sotoudeh. Sua filha, Mehraveh Khandan, escreveu no Instagram no sábado que sua mãe havia telefonado pela primeira vez desde sua prisão em 2 de abril. Não lhe foi permitido revelar onde estava detida.
"A República Islâmica demonstrou em janeiro que não tem escrúpulos em matar manifestantes em larga escala", denuncia Roya Boroumand, cofundadora do Centro Abdorrahman Boroumand.
"Nesse contexto, o silêncio em torno do destino dos iranianos nas negociações atuais não faz mais do que tranquilizar o regime (quanto ao fato) de que o custo político de outra repressão em massa será baixo", acrescentou.
P.Keller--VB