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Kevin Warsh, de linha-dura contra a inflação a aliado de Trump
Kevin Warsh, indicado por Donald Trump para chefiar o Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos), já foi um crítico ferrenho da inflação, mas agora se mostra favorável à redução das taxas de juros, um ponto que o presidente republicano defende com unhas e dentes.
Trump anunciou Warsh, de 56 anos, como sua escolha para substituir o presidente do Fed, Jerome Powell.
Sua escolha ocorre após meses de ataques pessoais de Trump a Powell pela decisão do Fed de não reduzir as taxas de juros mais rapidamente.
O temor de que a independência do Fed esteja ameaçada se espalhou entre os investidores. Durante sua audiência perante o Comitê Bancário do Senado nesta terça-feira (21), Warsh insistiu que, se confirmado, agiria de forma independente.
No entanto, congressistas democratas questionaram a mudança em sua posição sobre a inflação.
Antes de sua primeira passagem pelo Fed, de 2006 a 2011, Warsh foi banqueiro de fusões e aquisições no Morgan Stanley. Em 2002, ele passou a trabalhar no governo do ex-presidente George W. Bush como conselheiro de política econômica.
- Um "ex-falcão" -
Durante seu mandato no Fed, Warsh trabalhou em estreita colaboração com o presidente Ben Bernanke na resposta do banco central à crise financeira que abalou a economia global em 2008.
Ele se destacou como uma ponte fundamental de comunicação entre os formuladores de política monetária e os mercados financeiros, inclusive com o crescente ceticismo em relação a algumas das ações do Fed, como os cortes nas taxas de juros para mitigar os danos.
Ele renunciou ao cargo de governador do Fed em 2011, anos antes do término de seu mandato em 2018.
Na época de sua saída do banco central, Warsh era visto como um "falcão", termo que descreve altos funcionários que priorizam preços estáveis e baixa inflação. Isso geralmente é alcançado por meio de políticas monetárias mais restritivas e taxas de juros mais altas.
Durante seu primeiro mandato, Trump considerou Warsh para a presidência do Fed, mas acabou escolhendo Powell.
Warsh intensificou suas críticas ao Federal Reserve, adotando posições mais alinhadas com Trump e sua administração.
Em um discurso no ano passado, ele afirmou que o Fed havia se desviado de sua missão para adentrar em arenas políticas onde não possui experiência, e acusou o banco central de dificultar um maior crescimento da economia americana.
Warsh é formado pela Universidade de Stanford e pela Faculdade de Direito de Harvard. Ele é casado com Jane Lauder, da família conhecida pelo grupo de cosméticos Estée Lauder. O sogro de Warsh, o bilionário Ronald Lauder, é um parceiro de velha data de Trump.
A nomeação de Warsh para o Fed ainda precisa ser confirmada pelo Senado dos Estados Unidos.
D.Schaer--VB