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Porta-bandeira da Ucrânia insiste que usará capacete com vítimas da guerra
O porta-bandeira ucraniano nos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina afirmou nesta terça-feira (10) que usará em sua competição um capacete com fotos de atletas mortos no conflito com a Rússia, apesar da proibição do Comitê Olímpico Internacional (COI).
"Eu o usei nos treinos (...) e vou usá-lo no dia da corrida", declarou em entrevista coletiva Vladyslav Heraskevych, atleta de skeleton, poucas horas depois de o COI ter concedido uma autorização para que, no lugar desse capacete, ele pudesse usar uma braçadeira preta.
Heraskevych havia treinado na segunda-feira em Cortina com um capacete cinza cheio de imagens serigrafadas de compatriotas. Em Em seguida, anunciou que o COI o impedia de voltar a usá-lo.
"Adams [o porta-voz do COI] disse que era necessário um enfoque uniforme para todos os atletas, mas nestes Jogos (...) houve muitas tomadas de posição por parte de atletas americanos, inclusive nas instalações. Já houve uma bandeira russa no capacete de um dos atletas. Eles não receberam nenhuma sanção, nenhuma penalização. Portanto, se o enfoque é uniforme para mim, tem de ser também para eles", defendeu.
Em seu encontro diário com a imprensa, o COI, por meio de Mark Adams, ressaltou nesta terça-feira que o capacete "contraria" o artigo 50 da Carta Olímpica, que busca evitar "todo tipo de interferência", especialmente "política" ou "religiosa", para que "todos os atletas possam se concentrar em seu desempenho".
O órgão olímpico afirmou ter realizado "uma reunião informal" na segunda-feira com o treinador de Vladyslav Heraskevych e "com o seu entorno".
O COI disse então que admitia "uma exceção" às suas normas e que o deixaria usar "uma braçadeira preta durante a competição, para que possa proceder a essa homenagem".
O atleta é, em todo caso, livre para se expressar como desejar "em entrevista coletiva, ao sair da competição na zona mista" ou nas redes sociais, recordou o porta-voz do COI.
G.Schmid--VB