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Venezuela liberta genro do ex-rival de Maduro, em nova relação com Trump
A Venezuela libertou Rafael Tudares, genro do adversário do presidente deposto Nicolás Maduro nas contestadas eleições de 2024, em meio aos compromissos assumidos pela nova presidente interina com os Estados Unidos após o ataque de 3 de janeiro.
Delcy Rodríguez herdou o poder com a captura de Maduro e mudou a relação com Washington ao estabelecer acordos sobre o petróleo e assumir o compromisso de libertar presos políticos, ao mesmo tempo que reorganiza o gabinete de ministros e comandos militares.
Ela tem prevista uma reunião com o presidente Donald Trump na Casa Branca, em data a ser determinada.
- "Luta estoica" -
Rafael Tudares é casado com a filha de Edmundo González Urrutia, candidato no lugar da vencedora do Nobel da Paz María Corina Machado nas eleições presidenciais de 28 de julho de 2024.
Maduro foi proclamado reeleito pelas autoridades, que foram acusadas de servi-lo.
González Urrutia partiu para o exílio na Espanha. Sua filha Mariana e Rafael Tudares permaneceram no país com a família.
Tudares foi posteriormente detido em janeiro de 2025 por homens encapuzados quando ia à escola com seus dois filhos, e condenado à pena máxima de 30 anos de prisão por acusações de terrorismo. A decisão foi qualificada como “represália” pelo ex-rival de Maduro.
“Após 380 dias de uma injusta prisão arbitrária e de ter padecido, por mais de um ano, uma situação desumana de desaparecimento forçado, meu esposo Rafael Tudares Bracho voltou para casa nesta madrugada”, escreveu Mariana González. “Foi uma luta estoica e muito dura por mais de 1 ano”, acrescentou.
A ONG Foro Penal contabiliza, até 19 de janeiro, 777 presos políticos, com 143 solturas desde o anúncio do governo em 8 de janeiro.
O processo tem sido muito lento. Dezenas de familiares dormem em frente às penitenciárias na esperança de ver seus presos saírem em liberdade.
Entre os opositores que continuam atrás das grades destaca-se Juan Pablo Guanipa, importante aliado de Machado e vinculado a uma suposta conspiração contra as eleições de governadores e deputados em 2025.
Na mesma situação estão Freddy Superlano, detido em julho de 2024, em meio aos protestos contra a reeleição de Maduro, e o ativista Javier Tarazona, preso desde 2021 por “terrorismo”, “traição” e “incitação ao ódio”.
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) denunciou que a Venezuela mantém “centros de detenção clandestinos”.
- "Sem medo algum" -
Rodríguez era vice-presidente de Maduro e, em teoria, está encarregada do governo até o retorno do governante, preso em Nova York para ser julgado por narcotráfico.
A Constituição determina que governará por até seis meses, quando devem ser convocadas novas eleições.
A presidente interina, no entanto, assumiu o controle total do governo. Trocou ministros e impulsionou legislações, como a reforma da lei de hidrocarbonetos para incentivar o investimento estrangeiro no setor petrolífero venezuelano, peça-chave na agenda de Trump para a Venezuela pós-Maduro.
Na quarta-feira, reestruturou os comandos militares, nomeando generais para 12 das 28 comandâncias regionais em todo o país.
A mandatária já havia designado antes um ex-chefe do serviço de inteligência, o Sebin, como novo comandante de sua guarda presidencial e como diretor da agência de contrainteligência DGCIM.
Trump disse na quarta-feira, no Fórum de Davos, que “os líderes do país têm sido muito, muito inteligentes”, em referência a Rodríguez, e a Casa Branca anunciou uma visita em data ainda a ser definida.
“Estamos em um processo de diálogo, de trabalho com os Estados Unidos, sem medo algum, para enfrentar as diferenças, as dificuldades”, disse Rodríguez na quarta-feira, sem fazer referência ao convite. Ela ainda é alvo de sanções de Washington, incluindo o congelamento de bens.
Entretanto, o poderoso ministro do Interior, Diosdado Cabello, negou ter se reunido com funcionários dos Estados Unidos antes da queda de Maduro, enquanto o partido governista, que ele dirige, organiza protestos diários pelo “sequestro” do presidente deposto e sua esposa, Cilia Flores.
A.Ruegg--VB