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Protesto de motoristas contra extorsão paralisa parcialmente Lima
Centenas de transportadores paralisaram parcialmente Lima na segunda-feira passada (6) em um protesto contra a extorsão incessante do crime organizado e os assassinatos de 47 motoristas por assassinos profissionais.
A maioria das empresas do setor aderiu ao apelo para desligar os motores por 24 horas em vários distritos da capital peruana, após um fim de semana em que um motorista morreu e outro foi baleado em dois ataques armados.
Os manifestantes bloquearam com ônibus várias ruas importantes, incluindo trechos da rodovia Panamericana, e queimaram pneus no protesto mais radical que realizaram este ano contra a chantagem e a extorsão de várias organizações.
"Não nos sentimos protegidos por causa dessa matança que está ocorrendo com tantos motoristas devido às extorsões. Queremos uma solução!", afirmou o motorista de ônibus Juan Carlos Pineda, de 42 anos, após estacionar seu veículo na via.
"Não consigo trabalhar em paz, saio para trabalhar pensando se vou chegar vivo ou se vão me matar", disse ele à AFP.
- Interrupções -
Várias atividades foram interrompidas pela greve dos motoristas. Escolas e universidades suspenderam as aulas presenciais e alguns comércios fecharam as portas devido à redução do transporte público na capital.
No final da tarde, a polícia liberou as vias, sem que fossem relatados incidentes.
Após uma reunião com o chefe de gabinete, Eduardo Arana, os líderes dos condutores concordaram em suspender a greve e iniciar, nesta terça-feira, uma mesa de diálogo com o governo.
"O Executivo (governo) está comprometido em combater esse flagelo social", disse Arana aos jornalistas.
O avanço da extorsão coloca em xeque o impopular governo de Dina Boluarte, que este ano chegou a recorrer às forças armadas para apoiar a polícia no combate a esse flagelo.
Em nível nacional, as denúncias passaram de 2.396 em 2023 para 15.336 em 2024, um aumento de 540%. Lima liderou o registro, de acordo com dados oficiais.
- "Não vão nos vencer nessa batalha" -
Apesar das ações do governo, as extorsões continuam aumentando. Somente entre janeiro e agosto, a polícia recebeu 18.385 denúncias em todo o país.
Organizações criminosas como Los Pulpos, La Jauría, Los Injertos del Norte ou Tren de Aragua, de origem venezuelana, são sinônimos de medo e silêncio.
Na segunda-feira, os motoristas colaram mensagens em seus veículos em repúdio às extorsões que prejudicam a política de segurança do governo.
"Queremos viver, nem mais um morto", podia-se ler nos para-brisas, onde também colocaram fitas pretas ou fotos de motoristas assassinados.
As gangues exigem o pagamento de até 50.000 soles (14.350 dólares ou 76,3 mil reais na cotação atual) mensais às empresas de transporte, segundo denúncias de seus dirigentes.
Quando se recusam a pagar, atacam os veículos a tiros, mesmo com passageiros dentro.
Pelo menos 47 motoristas foram mortos por pistoleiros entre janeiro e outubro, de acordo com a Anitra, o principal sindicato do setor, que reúne 460 empresas em Lima e no porto vizinho de Callao.
"Temos que sair às ruas para protestar em defesa da vida diante de um governo indolente que até agora não resolveu o problema", afirmou à AFP Martín Valeriano, presidente da organização.
A presidente Boluarte enviou uma mensagem aos transportadores que exigem medidas contundentes contra os extorsionários.
Vamos "vencer esse flagelo que é a insegurança cidadã, que é a extorsão, que é o assassinato. Vamos prendê-los, eles não vão nos vencer nessa batalha", afirmou a mandatária em um ato oficial no sul de Lima.
R.Buehler--VB