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Brasil de Ancelotti confirma receios nos EUA
Falhas nas laterais, um sistema defensivo vulnerável e falta de criatividade: o Brasil de Carlo Ancelotti confirmou as dúvidas de seus críticos na estreia na Copa do Mundo de 2026.
Os pentacampeões do mundo tiveram que correr atrás do resultado para evitar uma derrota para o Marrocos de Achraf Hakimi (1 a 1) no sábado em East Rutherford, Nova Jersey, na abertura do Grupo C.
Ancelotti e Vinícius Júnior, que salvou a Seleção brasileira com o gol de empate, reconheceram que precisam melhorar se quiserem manter vivo o sonho de conquistar um novo título mundial, o primeiro desde 2002.
Também pediram calma por considerarem que enfrentaram um adversário de alto nível, semifinalista no Catar, em 2022, e que, para o segundo jogo, contra o Haiti na sexta-feira (19), na Filadélfia, já não haverá a ansiedade da estreia.
"Não podemos pensar que o time está perfeito no primeiro jogo. A Copa do Mundo não se ganha no primeiro jogo", relativizou o técnico italiano após a partida.
A seguir, três problemas a serem resolvidos pela Seleção antes do jogo contra o Haiti.
1. Carências nas laterais
Ancelotti reconheceu em março que os laterais brasileiros atuais estão muito longe dos jogadores que engrandeceram esta posição no passado por sua capacidade de subir e voltar para a defesa, como Roberto Carlos ou Carlos Alberto Torres.
Para piorar, o atleta que mais se aproximava destas características, Wesley, se lesionou dias antes da estreia. O italiano ficou então apenas com dois laterais de origem, os canhotos Douglas Santos e Alex Sandro.
Na direita, ele conta com Danilo – que joga como zagueiro no Flamengo – e outros dois defensores que podem desempenhar a função, mas com um perfil mais defensivo, Bremer e Ibañez. Este último foi titular contra Marrocos em sua estreia no torneio, mas teve uma atuação tão sem brilho que Danilo entrou em seu lugar no início do segundo tempo.
"Vamos ter que nos adaptar", disse Vini Jr. ao término da partida, embora sem se referir explicitamente aos laterais.
2. Buracos na defesa
O Brasil sofreu gols (oito ao todo) nas últimas seis partidas que jogou. Desde que Ancelotti assumiu há um ano, seus goleiros levaram 12 gols em 13 jogos.
Desta vez, Brahim Díaz aproveitou um passe errado de Lucas Paquetá e a marcação fraca no meio de campo para crescer diante do mau posicionamento dos zagueiros, Marquinhos e Gabriel Magalhães, e acertar um passe que Ismael Saibari transformou no 1 a 0.
As deficiências na defesa causam estranheza visto que o Brasil conta com dois zagueiros titulares de elite, um Casemiro que fez uma grande temporada no Manchester United e um Bruno Guimarães referência no Newcastle.
"A gente poderia ter mais o controle do jogo. Acabamos perdendo bolas em partes importantes do jogo", admitiu Casemiro.
3. Meio de campo pouco criativo
Desde o caminho para o Catar 2022, os pentacampeões mundiais deixaram claro que dependiam muito do talento de Neymar para dar brilho ao seu futebol.
Com o camisa '10' lesionado desde meados de maio e longe de seu melhor nível há anos, as tarefas de criação recaíram sobre Lucas Paquetá. Mas o meio-campista do Flamengo tem dificuldades para carregar o time, função que em Nova Jersey foi desempenhada com sucesso por Vinícius Jr.
Mas as qualidades de Vini e Raphinha, que atuam como pontas na equipe, são de velocidade e verticalidade, sem a tradicional e vistosa construção de jogadas que tornou o futebol brasileiro famoso.
"Tínhamos que ser mais intensos, criar mais. Acho que aumentar a intensidade ajudou muito a criar oportunidades e espaços" no segundo tempo, quando a equipe melhorou consideravelmente, disse o volante Fabinho.
M.Vogt--VB