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Pausa para hidratação na Copa do Mundo: saúde ou interesse comercial?
Virgil van Dijk, capitão da seleção holandesa, não gosta; muitos torcedores começaram a vaiar e, para inúmeros analistas, prejudica o espetáculo da Copa do Mundo: a pausa para hidratação, no meio de cada tempo, está sendo um dos momentos mais comentados neste início do torneio na América do Norte.
No total, essas pausas duram seis minutos, a princípio para ajudar os jogadores em uma competição com vários jogos disputados em altas temperaturas, mas muitos também veem um interesse primordialmente comercial, já que as emissoras de televisão aproveitam o tempo para veicular anúncios.
"As pausas para hidratação são um pouco curiosas", disse Van Dijk após o empate da 'Oranje' em 2 a 2 com o Japão no domingo, em Dallas, em um estádio com ar-condicionado.
"Estava vendo quase todos os jogos até hoje e, cada vez que acontece um corte comercial é um pouco... Bem, não é algo que eu goste, e acho que também não é agradável para quem está vendo pela televisão", acrescentou zagueiro holandês.
Também no domingo, os espectadores da goleada da Suécia por 5 a 1 sobre a Tunísia em Monterrey, no México, deixaram clara sua insatisfação com vaias durante a pausa para hidratação no primeiro tempo.
Os torcedores também vaiaram essa pausa durante o empate em 0 a 0 entre Espanha e Cabo Verde nesta segunda-feira (15), no Estádio de Atlanta, um local ultramoderno equipado com ar-condicionado.
As pausas programadas para hidratação não são comuns no futebol e duram três minutos cada, aproximadamente na metade de cada tempo.
A Fifa afirma que o objetivo é proteger a saúde dos jogadores e que elas vão acontecer em todos os jogos da Copa do Mundo, independentemente do local onde forem disputados ou das condições climáticas.
Isso levou, por exemplo, à interrupção da partida entre Países Baixos e Japão no domingo, apesar da temperatura agradável em um ambiente fechado.
- "Quatro quartos" -
Durante a primeira pausa para hidratação desse jogo, que foi disputado na casa do Dallas Cowboys, uma apresentação das líderes de torcida do time de futebol americano da NFL foi exibida no telão do estádio.
Mas quem acompanhava o jogo pela televisão geralmente via uma pausa na transmissão, que os diferentes canais costumavam aproveitar para exibir anúncios publicitários.
Cortes como esse são comuns em transmissões esportivas nos Estados Unidos, mas não tanto em outros lugares e em um esporte como o futebol.
Alguns críticos dessa medida apontam ganância e interesses comerciais por parte da Fifa, alimentando assim as acusações em torno da organização da Copa do Mundo, a galinha dos ovos de ouro para a entidade máxima do futebol.
"Este é o ano em que o jogo de dois tempos se tornou um jogo de quatro quartos", disse o jornalista britânico Henry Winter, que acredita que o torneio está sendo prejudicado "por causa de alguns punhados de dólares".
Nem todos usam esses intervalos para publicidade. Na Inglaterra, por exemplo, a BBC e a ITV não interrompem a transmissão durante esses intervalos.
"É importante que haja resistência a isso, de todos os lados. Se tolerarmos isso, nossos jogos televisionados podem ser os próximos", alerta Winter.
- Quebra de ritmo -
Em um esporte como o futebol, essas pausas também afetam o jogo.
Coincidência ou não, houve vários casos em que uma equipe cresceu após uma pausa, que geralmente também é usada pelos treinadores para mudar de tática ou dar instruções.
No domingo, em Houston, Curaçao surpreendeu o mundo com um empate provisório em 1 a 1 contra a Alemanha, aos 21 minutos do primeiro tempo, em mais uma partida disputada em estádio coberto. Mas então veio a pausa e tudo mudou: os alemães acabaram vencendo por 7 a 1.
Mas também há quem apoie as paralisações, como o técnico da Espanha, Luis de la Fuente, que argumenta que o bem-estar dos jogadores é primordial.
"Acho que é uma boa medida em circunstâncias de calor (...) Vamos seguir as regras. Tentarei não sobrecarregar os jogadores durante os intervalos, o que eles precisam fazer é se hidratar bastante", disse De La Fuente.
Van Dijk ressaltou que a medida deveria ter alguma flexibilidade, dependendo das condições.
"Se estiver muito quente, obviamente isso é bom. Mas acho que deve ser analisado jogo a jogo", concluiu.
S.Gantenbein--VB