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Cacique Raoni volta a ser internado; estado de saúde é grave
O cacique Raoni Metuktire, um dos defensores mais emblemáticos da Amazônia, foi internado em uma unidade de terapia intensiva e seu estado de saúde é grave, informaram seus médicos nesta segunda-feira (15).
O líder indígena foi levado na tarde de ontem para o Hospital Dois Pinheiros, na cidade de Sinop, Mato Grosso, de onde havia recebido alta em 25 de maio. Ele deu entrada com dor abdominal, vômito e expectoração com sangue.
"O paciente se encontra internado na UTI, sob monitoramento contínuo. O estado de saúde é considerado grave", informou o hospital.
Beptuk Metuktire, que retornou de uma viagem ao exterior por causa de seu avô, Raoni, disse à AFP que o cacique estava lúcido e que seu estado de saúde era instável. O hospital informou que os médicos vão participar às 9h desta terça-feira de uma entrevista coletiva sobre o quadro clínico de Raoni.
O sucessor de Raoni, Megaron Txucarramãe, e outros líderes indígenas interromperam uma viagem à Europa para denunciar o garimpo ilegal em suas terras organizada pelo Greenpeace Brasil, informou à AFP Danicley de Aguiar, coordenador da ONG.
Familiares de Raoni vão discutir amanhã os passos a tomar caso o estado de saúde do cacique piore, disse Roiti Metuktire, coordenador de Gestão Territorial do Instituto Raoni.
Segundo os médicos, Raoni, de 94 anos havia passado vários dias no mesmo hospital em maio: primeiramente para tratar uma hérnia, e após ser diagnosticado com doença pulmonar obstrutiva crônica e problemas cardíacos.
O cacique continuou ativo, embora visivelmente debilitado nos últimos meses. Em abril, participou do Acampamento Terra Livre, a maior concentração anual de povos indígenas em Brasília.
Raoni ganhou notoriedade nos anos 1970, quando militava contra a rodovia transamazônica durante a ditadura militar (1964-1985). Fez seu primeiro giro internacional em 1989, após conhecer o músico britânico Sting, na Amazônia.
H.Kuenzler--VB