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Tigre, continência, K-pop, camisa da seleção: os símbolos do 2º turno na Colômbia
Um outsider histriônico que usa como símbolos a saudação militar, a imagem de um tigre e a camisa da seleção de futebol rouba o show da campanha para o segundo turno das eleições presidenciais na Colômbia, no próximo domingo (21).
Sem experiência em cargos públicos, Abelardo de la Espriella pode se tornar o presidente que porá fim ao primeiro governo de esquerda do país, marcado por mais de seis décadas de conflito armado interno, com um discurso de linha-dura que apela ao patriotismo e à milícia.
Comerciante endinheirado e advogado, o ultradireitista se tornou uma figura quase teatral diante de seu adversário, Iván Cepeda, que apostou nos jovens amantes do pop sul-coreano para dinamizar uma campanha mais austera.
Confira a seguir as curiosidades do marketing político por trás dos aspirantes a suceder ao presidente Gustavo Petro.
- Prestar continência -
Toda vez que De la Espriella termina uma intervenção, leva a mão direita ao cenho, a baixa rapidamente e grita, "Firme pela pátria!".
Embora não tenha formação militar, inspirou seus apoiadores a prestar continência como saudação.
Seus atos públicos costumam ser acompanhados por militares reformados vestidos com trajes camuflados, que se alinham quando soa o hino nacional.
De la Espriella quer eliminar o tribunal especial surgido do acordo de paz com a guerrilha das Farc, em 2016, para julgar os piores crimes da guerra, o qual a direita considera enviesado contra os militares.
Em seus discursos, ele ressalta o trabalho dos soldados e assegura que, se for eleito presidente, sua cerimônia de posse será realizada em um batalhão.
Ele inspira "paixão, emoção, respeito", diz à AFP José Espinosa, sargento reformado do Exército.
"Temos sido nós os que damos o sangue neste país", acrescenta.
Uma comissão surgida do acordo com as Farc estimou que pelo menos 403.000 membros da força pública foram vítimas durante o conflito armado.
- O Tigre -
Segundo sua página na internet, o apelido de De la Espriella, "El Tigre" surgiu de uma declaração do ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2010).
O líder da direita colombiana, que apoia o ultradireitista após a derrota de seu partido no primeiro turno, afirmou em 2024 que a Colômbia precisava de "um tigre" ou "uma tigresa" na Presidência.
De la Espriella assumiu como própria a imagem do felino, como fizeram os presidentes argentino, Javier Milei, com o leão, e o americano, Donald Trump, com a águia-careca americana.
"A campanha de Abelardo (...) recolhe propostas que funcionaram associadas a propostas de autoridade forte, e o felino (...) tem isso", diz o estrategista político Ángel Beccassino, com vasta experiência em campanhas presidenciais.
Tudo isso combinado com vídeos de inteligência artificial e fogos de artifício no palanque.
O candidato da direita "tem uma capacidade dramática forte", "comunica", acrescenta Beccassino, autor do livro "Abelardo de la Espriella, la pasión del defensor" (Abelardo de la Espriella, a paixão do defensor, em tradução livre).
- K-popers -
A principal inspiração do esquerdista Iván Cepeda para conquistar votos veio do outro lado do Pacífico.
Sua campanha sóbria, a ponto de ser considerada enfadonha por alguns especialistas, visou os 'k-popers', fãs da música sul-coreana K-pop, que mobiliza milhões de pessoas ao redor do mundo.
O gesto simbólico do senador é o coração coreano: cruzar a ponta do indicador e o polegar para formar um pequeno coração.
Geralmente jovens da geração Z, os k-popers se organizaram para apoiar as propostas deste filósofo e defensor dos direitos humanos de 63 anos com danças, cartazes e vídeos com músicas do BTS e de outros grupos.
Também fizeram encontros presenciais, sobretudo em Bogotá.
"Sua força imparável nas redes e nas ruas está mobilizando a esperança de toda uma geração", disse-lhes o candidato no X.
"Muitos dos fãs que entram nestes coletivos somos pessoas LGBT, mulheres, jovens, pessoas e minorias que sentimos uma grande ameaça em um eventual governo de Abelardo" de la Espriella, diz Sebastián Solano, cientista político de 28 anos, que apoia Cepeda.
- Camisa da seleção -
A camisa amarela da seleção de futebol da Colômbia se tornou um símbolo da direita.
No marco da Copa do Mundo de Futebol-2026, De la Espriella e seus seguidores a usaram na campanha diante do incômodo da esquerda, que os acusou de se apropriarem de um símbolo nacional.
Muitos de seus apoiadores votaram no primeiro turno vestindo camisas com os nomes de craques da seleção, como James Rodríguez e Luis Díaz.
A estratégia se assemelha à empregada no Brasil, onde os eleitores do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022) também têm usado a camisa verde e amarela da seleção como símbolo nos últimos anos.
Em uma tentativa de desvincular a camisa da direita, Petro e alguns ministros também a vestiram.
No começo de junho, uma juíza proibiu De la Espriella de usá-la como simbolo, mas a Suprema Corte suspendeu esta decisão em seguida.
T.Egger--VB