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Comunidade iraniana em Los Angeles protesta contra sua seleção na Copa do Mundo
Centenas de opositores do governo de Teerã protestaram em Los Angeles na segunda-feira (15), coincidindo com a partida entre Irã e Nova Zelândia, a estreia do 'Team Melli' na Copa do Mundo, que terminou empatada em 2 a 2.
"Chega de aiatolás!" e "Liberdade para o Irã!" gritavam os manifestantes, enquanto exibiam a antiga bandeira do Irã, com o leão e a espada, anterior à Revolução Islâmica de 1979, que levou o atual regime ao poder.
Eles também entoaram palavras de ordem contra a 'Team Melli', considerando a equipe uma ferramenta de propaganda do governo.
"Este time não é do povo iraniano. É do regime", disse Ava Amin, estudante de filosofia que defende uma mudança de governo em seu país.
"Quando pessoas estão sendo mortas, eles ignoram e permanecem em silêncio", acrescentou ela.
A partida entre o 'Team Melli' e a Nova Zelândia ocorreu em meio a uma grande operação de segurança, uma vez que a numerosa comunidade iraniana de Los Angeles, conhecida como 'Tehrangeles', havia prometido realizar protestos.
Grande parte da diáspora se opõe à República Islâmica e decidiu aproveitar a visibilidade gerada pela Copa do Mundo para denunciar os abusos cometidos pelos aiatolás, que estão no poder há 47 anos.
Alguns manifestantes exibiram fotos de vítimas da violenta repressão ocorrida no Irã em janeiro passado, que deixou milhares de mortos, segundo dados de ONGs.
"Perdemos muitas pessoas em janeiro", disse Amin. "Quando as pessoas pedem liberdade no Irã, são mortas. Por isso. que (...) estamos aqui para ser a voz delas e erguer a nossa bandeira", acrescentou.
- Vaias durante o hino -
Muitos torcedores da oposição entraram no SoFi Stadium portando bandeiras da era pré-revolucionária, que pretendiam exibir durante a partida, embora Teerã considere esse símbolo inaceitável e tenha ameaçado cancelar o jogo caso tais bandeiras fossem levadas ao estádio.
Apesar de os regulamentos da Fifa proibirem manifestações políticas, diversos torcedores entraram no local exibindo a bandeira com orgulho, inclusive em camisetas, conforme observado por jornalistas da AFP.
Alguns torcedores foram instruídos pela segurança do estádio a não exibir símbolos de oposição a Teerã, sob ameaça de expulsão.
Como resultado, vaias se misturaram a aplausos quando o hino nacional do Irã foi tocado.
A cena remetia ao Catar em 2022, quando a Copa do Mundo ocorreu poucos meses após a repressão violenta aos protestos desencadeados pela morte da jovem Mahsa Amini, que havia sido detida por supostamente usar o véu na cabeça de forma inadequada.
É uma atmosfera que alguns torcedores, como Farideh Mansoor, lamentam.
Os jogadores "deram tudo de si para chegar aqui", observa essa empresária.
"É por isso que temos de apoiá-los. É esporte! Não é uma questão política", acrescenta a iraniana-americana, que chegou aos Estados Unidos há 35 anos.
"Não é fácil para eles", reconheceu Hamid Parvizi, apesar de ter ido ao estádio para manifestar sua oposição à seleção.
- "Impossível separar esporte e política" -
"Quando se trata do Irã, é impossível separar esporte e política", diz esse contador de 34 anos, lembrando que a própria seleção chegou a Tijuana usando broches que faziam referência a um atentado a bomba contra uma escola iraniana, ocorrido no início da guerra e que deixou vítimas fatais.
Esse torcedor do Barcelona continua convencido de que há interesses políticos em jogo na seleção e lamenta a ausência na Copa do Mundo de Sardar Azmoun, o terceiro maior artilheiro da história da seleção, que foi excluído, em sua visão, devido a uma publicação nas redes sociais que teria desagradado a Teerã.
"Com coisas assim, não consigo confiar nesta seleção", afirma ele.
Em meio à guerra no Oriente Médio, o 'Team Melli' teve de lidar com uma intensa pressão extraesportiva durante sua preparação, e sua participação chegou a ficar em dúvida até o último momento.
De fato, a seleção iraniana teve que transferir seu centro de treinamento do Arizona, no sul dos Estados Unidos, para Tijuana, no norte do México, para um torneio co-organizado pelos dois países vizinhos da América do Norte, juntamente com o Canadá.
Washington também negou vistos a vários membros da comissão técnica, impedindo-os de assistir às partidas da fase de grupos, disputadas em território americano.
Os Estados Unidos anunciaram no domingo que haviam chegado a um acordo com o Irã, marcando o fim das hostilidades.
F.Mueller--VB