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Torcida argentina faz bandeiraço em Kansas antes da estreia na Copa do Mundo contra a Argélia
Ao ritmo de cantos e tambores, uma onda argentina invadiu a tranquilidade de Kansas City na segunda-feira (15). A atual campeã mundial se prepara para entrar em campo, apoiada por uma torcida transbordando paixão e fé na última aventura de Lionel Messi.
Milhares de argentinos, vindos de seu país, da Europa e de várias partes dos Estados Unidos, alimentaram a empolgação com o clássico 'banderazo' antes da estreia da seleção contra a Argélia.
O Mill Creek Park, ponto de encontro oficial, se transformou em um pedaço da Argentina no coração desta cidade do meio-oeste americano, um lugar geralmente caracterizado por avenidas largas e silenciosas e varandas com bancos de balanço.
"É uma cidade linda, mas acho que está ainda melhor agora, com toda essa gente e essa energia", disse à AFP Gerardo López, um especialista em TI de 38 anos que mora em Barcelona.
"Para nós, argentinos, o futebol é mais do que apenas um esporte. É uma paixão que corre em nossas veias. Dá para ver isso nesta concentração: é uma expressão verdadeira do que significa ser argentino", acrescentou Lilia Charcas, torcedora da província de Tucumán.
"Ver toda essa gente aqui, todo mundo cantando e se abraçando... A maioria nem se conhece, mas está se abraçando. É incrível. Sinceramente, não consigo acreditar. Estou vivendo um sonho", disse Alan Ferreyra, jovem de 19 anos que viajou de Las Vegas.
Com quase nenhuma presença policial, a batida incessante dos bumbos não para um segundo e homens e mulheres conversam ao lado de churrasqueiras repletas de carne assando, enquanto grupos de crianças correm atrás de uma bola no gramado, imitando seus ídolos.
Todos vestem as camisas da seleção, além de algumas camisas de clubes argentinos, enquanto as duas maiores lendas, Diego Maradona e Lionel Messi, observam a cena estampadas em bandeiras gigantes.
- "Uma despedida maravilhosa" -
Após a glória do Catar 2022, descobriu-se que Messi ainda tinha fôlego para mais uma Copa do Mundo, e muitos torcedores não perderam a oportunidade única de acompanhá-lo.
"Estou vindo pela primeira vez porque é a última Copa do Mundo de Messi", admite Yanina Martínez, comerciante de Buenos Aires.
"Se não ganharmos, não importa. Será uma bela despedida. Já vencemos no Catar, e cinco milhões de pessoas comemoraram em Buenos Aires", recorda ela.
"O mais importante é agradecer. Ficaremos felizes independentemente do resultado", comenta Gerardo López, ciente de que nenhuma seleção conquistou o bicampeonato consecutivo desde o Brasil em 1962.
Outros mantêm o otimismo, como María Bader, que também viajou da capital argentina.
"Não há nada melhor do que ser campeão. E ser bicampeão é algo único, especialmente se for a última Copa do Mundo de Messi. É por ele, e por causa dele também", diz ela.
E, embora a alegria reine a apenas 24 horas do grande dia, muitos torcedores lembram dos enormes sacrifícios que fizeram devido ao alto custo dos ingressos e da viagem.
"Isso é incrivelmente caro", lamenta Gerardo. "Foi caro no Catar, mas não impossível. Aqui, custa o dobro. Provavelmente só conseguiremos assistir à fase de grupos, porque não temos condições de pagar tanto".
"Juntar dinheiro, acompanhar o mercado de revenda até encontrar ingressos baratos e dar um jeito", diz ele sobre os preparativos. "Você precisa procurar as passagens aéreas e a hospedagem mais baratas, mas sem desistir, porque sempre é possível".
M.Vogt--VB