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Copa do Mundo de 2026 luta para despertar entusiasmo nos EUA
Com torcedores desestimulados pelos preços elevados, outros enfrentando a negativa de vistos e o público local muito mais empolgado com as Finais da NBA, a Copa do Mundo de 2026 na América do Norte começa com pouco entusiasmo nos Estados Unidos.
Os coanfitriões enfrentam o Paraguai em Los Angeles nesta sexta-feira (12), mas será um jogo de estreia que muitos americanos, incluindo o presidente Donald Trump, provavelmente vão ignorar.
Trump não comparecerá à partida e enviará no seu lugar o secretário de Estado, Marco Rubio.
Questionado recentemente sobre os preços dos ingressos, considerados proibitivos por muitos torcedores, Trump disse que, se fosse um torcedor comum, não pagaria os mais de mil dólares cobrados pelo primeiro jogo da seleção americana.
Arvin Baines, um torcedor inglês de 26 anos que veio de Londres, concordou que o preço dos ingressos é um grande obstáculo.
Ele e seus amigos reservaram voos para os Estados Unidos antes mesmo de os ingressos para as partidas começarem a ser vendidos, e agora estão correndo contra o tempo para encontrar bilhetes de revenda de última hora, já que os preços oficiais estão acima do orçamento deles.
"Muitos torcedores que conhecemos decidiram não viajar justamente por causa do custo", disse Baines à AFP em Washington.
- "Para os fãs" -
Outro torcedor que viajou do Reino Unido é Thomas Shaw, de 40 anos, acompanhado de seu filho de dez anos. Os dois assistirão à primeira partida da Escócia, no sábado, contra o Haiti, em Boston.
Eles compraram seus ingressos usando pontos de fidelidade acumulados por meio de um grupo de torcedores, mas disseram que era caro demais comparecer a mais jogos.
"Tenho amigos que se inscreveram em sorteios de ingressos, mas não conseguiram nenhum, e alguns pagaram uma fortuna no mercado de revenda, o que também me parece um absurdo", disse Shaw à AFP em Nova Jersey.
"Não acho que isso esteja certo. Quer dizer, o futebol deveria ser para os torcedores".
Enquanto isso, a Costa do Marfim e o Senegal jogarão sem delegações oficiais de torcedores pela primeira vez, já que os Estados Unidos se recusaram a conceder-lhes vistos.
"Os torcedores cancelaram a viagem porque o governo americano não quer ver torcedores de certos países, incluindo a Costa do Marfim, em seu território", afirmou Julien Kouadio Adonis, presidente do Comitê Nacional de Torcedores dos 'Elefantes'.
- Não há ambiente, por enquanto -
Embora a Copa do Mundo de 1994, sediada pelos Estados Unidos, tenha sido um sucesso de público, os americanos não parecem particularmente engajados com o torneio de 2026.
Isso fica evidente em Nova York, onde as camisas dos Knicks, o time de basquete da cidade, que disputa seu primeiro título da NBA desde 1973, são muito mais comuns do que as camisas de futebol.
"Acho que os Knicks roubaram boa parte da empolgação neste momento", disse Vanessa Whalen, proprietária do Black Bull, um pub no Brooklyn.
Mas a seleção dos Estados Unidos pode avançar para a fase eliminatória, e Whalen prevê que o ambiente ficará mais animado: "Acho que Nova York vai ficar uma loucura".
O entusiasmo parece muito maior nos outros países-sede, México e Canadá, com as ruas da Cidade do México repletas de milhares de torcedores na quinta-feira, após a vitória da equipe da casa no jogo de abertura.
No bairro de Westport, em Kansas City, base das seleções da Argentina e da Inglaterra, a Copa do Mundo despertou pouco interesse entre os frequentadores habituais do bar Tin Roof... por enquanto.
"Normalmente não transmitimos jogos de futebol na TV, mas esperamos muito mais clientes do que o habitual nas próximas semanas", disse a atendente Gabrielle McLoughlin. "Teremos muitas noites especiais".
U.Maertens--VB