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Netanyahu, inflexível na negociação sofre reféns: 'Não cederei às pressões'
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, advertiu que não cederá às pressões para concluir um acordo para a libertação dos reféns que estão em Gaza desde outubro, e insistiu que manterá a operação militar contra o movimento palestino Hamas.
A descoberta dos corpos de seis reféns em um túnel de Gaza, anunciada no domingo, levou milhares de pessoas às ruas em Tel Aviv e Jerusalém na segunda-feira e várias cidades aderiram a uma greve geral.
Depois de pedir publicamente "perdão por não terem retornado com vida" aos seis reféns encontrados, Netanyahu acusou o Hamas de "executá-los" com uma "bala na nuca" e prometeu que o movimento pagará "muito caro".
"Não vou ceder à pressão (...) Ninguém está mais empenhado do que eu na libertação dos reféns. Ninguém pode me dar lições sobre isto", disse em uma conferência de imprensa em Jerusalém.
"Devemos exercer pressão máxima sobre o Hamas", que "deve fazer concessões", acrescentou Netanyahu.
Neste contexto, reafirmou a necessidade de Israel de manter o controle do Corredor da Filadélfia, ao longo da fronteira entre Gaza e o Egito, um obstáculo nas negociações.
Catar, Egito e Estados Unidos, mediadores do conflito, tentam há meses convencer o Hamas e Israel a fechar um acordo de cessar-fogo que inclua a libertação de reféns e prisioneiros palestinos detidos por Israel.
- "Nunca haverá um acordo" -
"O controle do Corredor de Filadélfia garante que os reféns não serão transferidos para fora de Gaza", disse Netanyahu. Já o movimento islamista exige que todas as forças israelenses abandonem o território palestino.
Abu Obeida, porta-voz das Brigadas Ezzedine Al-Qassam, braço armado do Hamas, alertou que os reféns voltarão "em caixões" se Israel mantiver a pressão militar "em vez de fechar um acordo".
Netanyahu "quer ocupar Gaza indefinidamente. Israel nunca devolverá o território de que necessita para a sua segurança", disse à AFP Mairav Zonszein, analista do International Crisis Group. "Ele basicamente anunciou que nunca haverá um acordo sobre os reféns", acrescentou.
O jornal Haaretz, considerado de esquerda, escreveu: "Netanyahu quer acima de tudo proteger sua posição política. Está tentando manter sua coligação, que poderá entrar em colapso no caso de um acordo".
O presidente americano, Joe Biden, cujo país é o principal aliado de Israel, criticou na segunda-feira o primeiro-ministro israelense por não fazer o suficiente para um acordo.
Netanyahu diz que quer manter a guerra até à destruição do Hamas, que assumiu o poder em Gaza em 2007 e é considerado um movimento terrorista pelos Estados Unidos e União Europeia.
A guerra eclodiu em 7 de outubro, quando combatentes do Hamas mataram 1.205 pessoas em Israel, a maioria civis, segundo uma contagem baseada em números oficiais israelenses. Além disso, sequestraram 251 pessoas: 97 permanecem em Gaza e 33 morreram, segundo os militares israelenses.
Em resposta, Israel prometeu destruir o Hamas e lançou uma ofensiva que já deixou 40.819 mortos no território palestino, segundo o Ministério da Saúde da Faixa de Gaza, e deslocou quase todos os 2,4 milhões de habitantes.
-Campanha de vacinação corre "bem"-
A campanha de vacinação contra a poliomielite lançada em Gaza graças a "pausas humanitárias" é "bem" conduzida, disse Rik Peeperkorn, da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Segundo o funcionário, há 161 mil crianças até 10 anos vacinadas e esta primeira rodada levará "pelo menos 10 dias".
Na quinta-feira, cerca de 340 mil crianças serão vacinadas no sul e outras 150 mil no norte.
Mas a ofensiva israelense não cessa: dois palestinos morreram, entre eles uma criança, quando um projétil caiu sobre um abrigo de deslocados na região de Khan Younis, segundo a Defesa Civil.
No norte, as tropas bombardearam edifícios residenciais em Zeitun, na Cidade de Gaza, constataram correspondentes da AFP.
A.Ammann--VB