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FMI está preocupado com a falta de redução da dívida dos estados-membros
Apesar das condições econômicas favoráveis antes do início da guerra no Oriente Médio, os países, em geral, fizeram pouco para reduzir sua dívida, advertiu o Fundo Monetário Internacional (FMI) nesta quarta-feira (15).
A margem de manobra diminuiu perante futuras crises.
"O desempenho do crescimento tinha sido bom tanto de uma perspectiva global quanto de uma perspectiva regional", declarou Era Dabla-Norris, diretora-adjunta do Departamento de Assuntos Fiscais do FMI, à AFP.
"Apesar das notícias positivas sobre o crescimento e das surpresas para muitos, muitos países, não houve avanços mensuráveis na redução das dívidas e dos déficits", disse em uma entrevista que coincide com a publicação do Monitor Fiscal.
O relatório semestral, publicado nesta quarta-feira, oferece um panorama pouco animador da dívida soberana mundial.
Em escala global, a dívida aumentou até quase 94% do PIB em 2025.
Se as tendências atuais continuarem, a dívida poderia superar 100% do PIB em 2029, um nível que não é visto desde o pós-guerra da Segunda Guerra Mundial.
O conflito que engoliu o Oriente Médio apenas aumentou a pressão sobre as finanças.
Dabla-Norris indicou que, em cenários ainda mais adversos, a dívida mundial poderia ultrapassar 117% do PIB.
- Impactos futuros -
"Estamos vendo que os governos estão pensando — ou muitos governos estão anunciando — pacotes fiscais para apoiar empresas e famílias" como resultado da guerra, afirmou a diretora-adjunta.
"Combinado com uma menor atividade econômica, a história mostra que os déficits e as dívidas tendem a aumentar", acrescentou.
O risco é que estas medidas se consolidem com o tempo, como ocorreu após a pandemia de covid-19, afirmou.
"Parece haver, em todo o mundo, em todos os partidos políticos, uma expansão fiscal", em vez de disciplina. "O resultado final é que os países não têm colchões para quando chegar o próximo impacto", afirmou.
A tendência global rumo a um maior endividamento está sendo impulsionada em grande parte pelas maiores economias — Estados Unidos e China —, cujos déficits se mantêm em níveis elevados.
O Fundo não prevê que os responsáveis políticos americanos contenham os gastos no curto prazo e projeta um déficit entre 7% e 8% do PIB no médio prazo, que se estabilizaria em torno de 5% em 2031.
Isto elevaria a dívida americana de quase 124% em 2025 para mais de 142% em cinco anos.
Dado que a dívida dos Estados Unidos geralmente é utilizada como referência para fixar o preço de todas as demais dívidas soberanas, outros países poderiam encontrar mais dificuldade para acessar financiamento.
- Reformas na China -
A China não é muito diferente: seu déficit atingiu 7,9% do PIB no ano passado.
Espera-se que a dívida chinesa aumente de cerca de 99% do PIB em 2025 para quase 127% em 2031, em grande parte devido aos déficits previstos em torno de 6% ou 7%.
Segundo o relatório, a dívida da China continua amplamente concentrada nos níveis governamentais locais e regionais, dando ao governo central mais espaço de manobra.
No entanto, "o espaço fiscal da China pode diminuir com o tempo, limitando a capacidade do governo de responder a futuros impactos e prejudicando as perspectivas gerais de sustentabilidade da dívida", observa o relatório.
Embora o FMI esteja instando a maioria dos países a colocar suas finanças públicas em ordem, Dabla-Norris destacou o progresso positivo em Portugal, Espanha e Grécia. "Houve uma mudança drástica em comparação com apenas 10 ou 15 anos atrás".
A Argentina, com seu rigor mais drástico, também é mencionada no Monitor Fiscal.
"As regras fiscais existentes devem estar consagradas legalmente para reforçar a credibilidade", como é o caso na Argentina, explica o texto.
R.Buehler--VB