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Colômbia elege presidente com esquerda à prova diante de onda de violência
Os colombianos começaram a votar neste domingo (31) nas eleições presidenciais para decidir se renovam seu voto de confiança na esquerda no poder ou mudam de rumo com a direita, em meio à pior onda de violência da última década.
Vestido de branco e acompanhado por uma de suas filhas, o mandatário Gustavo Petro abriu o dia eleitoral. "O voto deve ser livre e sem pressão", disse o primeiro presidente de esquerda na história do país.
Sem possibilidade de reeleição, Petro deixará o poder com alta popularidade entre as classes mais baixas, depois de reduzir os índices de pobreza monetária, da fome, do desemprego e de ampliar programas sociais em um dos países mais desiguais do mundo.
Que o próximo mandatário "nos ajude (...) a ter um pouco de tranquilidade, um pouco de paz, porque do jeito que as coisas estão, estamos muito nervosos, há muito conflito", diz à AFP María Eugenia Motato, dona de casa de 57 anos, em Suárez, um município do sudoeste colombiano castigado pela violência de guerrilhas e traficantes de drogas.
O candidato de seu partido, o senador Iván Cepeda, de 63 anos, lidera as intenções de voto e propõe dar continuidade às políticas de Petro em meio a uma crise fiscal e a um recrudescimento da violência.
No lado oposto está Abelardo de la Espriella, um excêntrico advogado milionário de 47 anos que se autodenomina "O Tigre", cujo símbolo é a continência militar e que promete morte ou prisão para criminosos.
A direitista Paloma Valencia, senadora da oposição apadrinhada pelo poderoso ex-mandatário Álvaro Uribe (2002-2010), aparece em terceiro lugar.
Segundo as pesquisas, nenhum candidato conseguirá votos suficientes para vencer no primeiro turno, razão pela qual espera-se um segundo turno em 21 de junho.
A votação se estenderá até as 21h00 GMT (18h de Brasília). A autoridade eleitoral espera ter resultados poucas horas depois do encerramento e busca uma redução da abstenção, que costuma superar 40%.
O governo mobilizou 408.000 integrantes da força pública para garantir a segurança no país.
A campanha transcorreu em meio a um clima de polarização e medo, com atentados mortais de guerrilhas, o assassinato de um candidato à presidência e a recusa dos principais postulantes em participar de debates.
- Governo "disruptivo" -
Petro é o grande protagonista de uma eleição dividida. Seu governo significou uma ruptura em um país governado por elites conservadoras ao longo de dois séculos.
O ex-guerrilheiro que assinou o acordo de paz em 1990 enfrentou o Congresso, os tribunais, o Ministério Público e o Banco Central diante das negativas em aceitar suas reformas.
Teve uma "posição disruptiva", diz Juan Camilo Lozano, professor de Ciências Políticas e Sociais da Universidade Nacional.
Para as eleições, a base eleitoral de Petro se voltou para Cepeda, filho de um político comunista assassinado e formado desde criança, devido ao exílio, em países socialistas como Tchecoslováquia, Bulgária e Cuba.
O filósofo e defensor dos direitos humanos aposta nos "excluídos": vítimas do conflito, indígenas e camponeses.
"Superar definitivamente a pobreza e acabar com a desigualdade social, esta será a prioridade essencial do nosso segundo governo", disse no sábado.
A oposição o critica por ser um dos arquitetos da "Paz Total", política com a qual Petro tentou, sem sucesso, negociar com as organizações que permaneceram armadas após o acordo com a guerrilha das Farc em 2016.
"Quando a gente vem votar, tem essa esperança de que as coisas podem mudar", diz em Bogotá Cristina Peña, uma comerciante de 50 anos cansada da "guerra".
- Entre "extremos" -
De la Espriella se destaca com uma proposta antissistema. Ele promete bombardeios, o fortalecimento da força pública e a eliminação do tribunal instaurado no acordo de paz.
Admirador dos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, de El Salvador, Nayib Bukele, e da Argentina, Javier Milei, propõe construir 10 megaprisões e reduzir o Estado em 40%.
"Estou aqui (...) para que a esquerda nunca volte ao poder e destrua o país", afirmou no sábado.
Seus atos de campanha foram verdadeiros espetáculos, com fogos de artifício e vídeos com inteligência artificial, nos quais cantou e fez discursos beligerantes trancado em uma cápsula à prova de balas.
"Estamos indo a muitos extremos" com ambos os candidatos, diz Samuel Forero, um universitário de 18 anos.
Os Estados Unidos observam de perto as eleições, após os choques constantes entre Petro e Trump que ameaçaram a relação entre dois países historicamente aliados. Washington responsabiliza o governo pelo aumento do tráfico de drogas.
L.Maurer--VB