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Israel e Hezbollah concordam com cessar-fogo no Líbano enquanto pacto entre EUA e Irã permanece em suspenso
Israel e o Hezbollah concordaram nesta sexta-feira (19) com um cessar-fogo, segundo um funcionário americano, depois que os confrontos entre o Exército israelense e o grupo libanês ameaçaram o recente acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio.
Bombardeios israelenses e ataques aéreos mataram ao menos 47 pessoas e deixaram 97 feridos no Líbano nesta sexta-feira, segundo o balanço mais recente do Ministério da Saúde libanês. Um balanço anterior registrava 21 mortos e 39 feridos na noite de quinta-feira, no sul e no leste do país.
O chamado memorando de entendimento prevê um cessar-fogo "em todas as frentes, incluindo o Líbano", condição na qual Teerã havia insistido para encerrar o conflito. O Irã é aliado do movimento islamista libanês Hezbollah.
A guerra, desencadeada pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã em 28 de fevereiro, causou milhares de mortes, principalmente na república islâmica e no Líbano.
O conflito também abalou a economia mundial devido ao fechamento do Estreito de Ormuz, fundamental para o transporte de hidrocarbonetos.
O vice-presidente americano, JD Vance, e o principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, deveriam iniciar uma nova fase de negociações nesta sexta-feira na Suíça, mas o encontro foi suspenso em meio às hostilidades no Líbano.
Horas depois, um funcionário americano informou à AFP que Israel e o Hezbollah haviam concordado com um cessar-fogo com efeito imediato, negociado por mediadores americanos após conversas com Israel e Irã.
Um diplomata do Golfo, sob condição de anonimato, confirmou a trégua.
- "Todo o Líbano deve arder" -
O anúncio ocorreu horas depois de o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, advertir que Israel "fará pagar um preço muito alto" ao Hezbollah pela morte de militares israelenses.
Ele também prometeu que suas forças permanecerão "pelo tempo necessário" no sul do Líbano, onde realizaram sua maior incursão terrestre em décadas.
"Todo o Líbano deve arder", declarou, por sua vez, o ministro da Segurança Nacional, o ultradireitista Itamar Ben Gvir, levando o chanceler iraniano Abbas Araghchi a acusar Israel de querer "guerra permanente".
Muitos moradores fugiram do sul do país após os ataques, apertados em carros, alguns com colchões e pertences amarrados sobre os veículos, constatou um correspondente da AFP na região de Tiro.
"Estávamos em casa quando, de repente, começaram os bombardeios. Nenhuma cidade, nenhuma casa foi poupada", contou Zeinab Naser, de 69 anos, em meio a um congestionamento em Sidon, no sul do Líbano.
"Os aviões militares israelenses nunca deixam o céu. Esperamos que esse veneno [Israel] vá embora do nosso país e possamos viver", acrescentou.
- Sem nova data -
No plano diplomático, o governo suíço anunciou o adiamento, sem nova data definida, das negociações previstas para esta sexta-feira entre Teerã e Washington.
O acordo assinado entre os dois países prevê a abertura de 60 dias de discussões para abordar suas principais divergências, como o programa nuclear iraniano e o levantamento das sanções contra Teerã.
"Os próximos 60 dias serão cruciais. Podemos chegar a um acordo global, mas também esperamos um acordo incompleto, com algumas lacunas", afirmou uma fonte diplomática dos Emirados Árabes Unidos.
A semana começou sob um clima de otimismo, com o anúncio do acordo-quadro, assinado eletronicamente na quarta-feira (17) pelo presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, e por seu homólogo americano, Donald Trump.
O líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, declarou que aprovou o acordo, embora com reservas. No futuro haverá "negociações presenciais" com os Estados Unidos, mas isso não "significa aceitar o ponto de vista do inimigo", afirmou na quinta-feira.
- 25 navios passam por Ormuz -
Enquanto isso, o tráfego foi retomado no Estreito de Ormuz, rota marítima crucial para o comércio mundial de hidrocarbonetos. Vinte e cinco navios comerciais atravessaram a passagem na quinta-feira, um volume inédito desde meados de abril e cinco vezes superior à média dos dez primeiros dias de junho, segundo dados da plataforma de monitoramento marítimo AXSMarine.
Desde o início da guerra, Teerã fechou de fato o estreito, ao que os Estados Unidos responderam bloqueando os portos iranianos.
A autoridade marítima iraniana responsável pelo Estreito de Ormuz informou nesta sexta-feira que embarcações que desejem utilizar a passagem deverão solicitar autorização com "48 horas de antecedência".
Segundo os termos do memorando de entendimento, "não será cobrada" nenhuma taxa "durante um período de 60 dias", informou a televisão estatal iraniana, citando um comunicado do Conselho Supremo de Segurança Nacional.
Os preços do petróleo interromperam a queda nesta sexta-feira, após os recuos acentuados registrados depois do anúncio do acordo-quadro. O barril do Brent do Mar do Norte, referência internacional, era negociado em torno de 80 dólares (R$ 440).
burx-tq-apz/mr-arm-jvb/meb/fp/jc/dbh/lm-jc
S.Gantenbein--VB