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Quanto menos ajuda ao desenvolvimento, mais migrações, adverte OIM
A diretora-geral da Organização Internacional para as Migrações (OIM), Amy Pope, advertiu em entrevista à AFP que os cortes nos orçamentos de ajuda ao desenvolvimento por parte dos países ricos podem aumentar as migrações forçadas.
"Os cortes na ajuda ao desenvolvimento não fazem mais do que aumentar consideravelmente o risco de que as pessoas se vejam obrigadas a partir em busca de segurança e estabilidade", explicou Pope na quinta-feira, durante o Fórum de Berlim sobre Mobilidade Climática (BCMF, na sigla em inglês), que termina nesta sexta-feira (19).
Esses alertas chegam em um momento em que vários países desenvolvidos, como os Estados Unidos e a Alemanha, reduziram seus orçamentos de ajuda ao desenvolvimento.
Pouco depois de chegar à Casa Branca, Donald Trump eliminou 83% dos programas da Usaid, a agência de desenvolvimento dos Estados Unidos, que administrava um fundo equivalente a 42% da ajuda humanitária mundial.
A Alemanha, governada desde o ano passado pelo conservador Friedrich Merz, continuou reduzindo em 2026 o orçamento de ajuda ao desenvolvimento para pouco mais de 11,4 bilhões de euros (58,82 bilhões de reais), ante quase 14 bilhões em 2022 (82,85 bilhões de reais).
Ao mesmo tempo, os Estados Unidos e muitos países europeus endureceram suas políticas migratórias e reforçaram o controle de suas fronteiras.
"Para responder às pressões políticas internas, tomam-se decisões de curto prazo que, no fim das contas, não atendem aos interesses dos países a longo prazo", lamentou a dirigente da ONU.
"Quanto mais conseguirmos oferecer apoio aos movimentos de população de maneira digna, menor será o risco de testemunharmos movimentos de população em massa", acrescentou.
Pope citou o exemplo do Sudão, onde a guerra provocou o deslocamento de mais de nove milhões de pessoas, a maior crise desse tipo no mundo.
- Deslocados climáticos -
A mudança climática tem um impacto "enorme" nos deslocamentos de população, advertiu a ex-assessora de migração do presidente americano Joe Biden.
Segundo o Centro de Monitoramento de Deslocamentos Internos (IDMC, na sigla em inglês), os desastres climáticos provocam mais deslocamentos dentro do mesmo país, do que os conflitos.
Pope mencionou, entre outros, os pequenos Estados insulares do Pacífico, como Tuvalu, ameaçados pelo aumento do nível do mar, além das Filipinas, onde aproximadamente 10 milhões de pessoas teriam sido deslocadas pelo aumento da intensidade dos tufões, segundo suas estimativas. Também destacou várias regiões da África afetadas por secas prolongadas.
Pope instou os países mais ricos, principais responsáveis pela mudança climática, a assumir sua responsabilidade oferecendo opções às pessoas obrigadas a se deslocar, antes que se encontrem em situações de crise.
Segundo o Banco Mundial, mais de 200 milhões de pessoas podem ser obrigadas a migrar dentro de seus próprios países até 2050 devido à mudança climática, de acordo com um relatório de 2021.
T.Zimmermann--VB