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EUA e Irã adiam negociações programadas para a Suíça
A Suíça confirmou o adiamento das negociações previstas para esta sexta-feira (19) entre Irã e Estados Unidos para concretizar seu acordo, ao mesmo tempo que as hostilidades prosseguem no Líbano. Teerã afirmou que responderá a qualquer violação do que foi combinado.
"As conversações previstas entre Estados Unidos, Irã, (e os mediadores) Catar e Paquistão foram adiadas", anunciou o Ministério das Relações Exteriores suíço em um comunicado, sem anunciar uma nova data.
Algumas horas antes, o vice-presidente americano, JD Vance, anunciou o cancelamento de sua viagem.
Após a assinatura, durante a semana, de um acordo entre Washington e Teerã, as conversações tinham como objetivo iniciar as negociações detalhadas para acabar com o conflito iniciado em 28 de fevereiro com os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
As hostilidades provocaram milhares de mortes, principalmente no Irã e no Líbano, o outro front da guerra, e abalaram a economia mundial com o fechamento do Estreito de Ormuz, fundamental para o trânsito de combustíveis.
O acordo estabelece o prazo de 60 dias para concluir as negociações, que deveriam começar nesta sexta-feira com uma cerimônia em um hotel de luxo em Bürgenstock, uma região montanhosa com vista para o lago de Lucerna.
JD Vance, representante dos Estados Unidos, adiou a viagem, assim como o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, cuja mediação tem sido decisiva.
"A logística destas negociações nunca foi simples nem previsível. Por ora, o vice-presidente não partirá esta noite", afirmou um porta-voz da Casa Branca na quinta-feira.
O acordo foi assinado na quarta-feira eletronicamente pelo presidente iraniano, Masoud Pezeshkian. O presidente americano Donald Trump assinou o documento no mesmo dia, durante uma recepção no Palácio de Versalhes, na França.
O líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, declarou em uma mensagem escrita na quinta-feira que aprovou o documento, mas com ressalvas. No futuro, devem acontecer "negociações presenciais" com os Estados Unidos, mas isso "não significa aceitar o ponto de vista do inimigo", destacou.
O principal negociador iraniano e presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, avisou que Teerã dará uma "resposta firme" em caso de "violação" do protocolo de acordo ou de "demandas excessivas".
"Eles já levaram um tapa durante a guerra; se quiserem se aventurar outra vez por este caminho, o tapa será maior", escreveu em sua conta no X.
- Combates prosseguem no Líbano -
Nos últimos dias, o tráfego foi retomado no Estreito de Ormuz, uma passagem estratégica para o comércio mundial de hidrocarbonetos, que durante a guerra permaneceu fechado na prática pelo Irã e pelo bloqueio naval dos Estados Unidos aos portos iranianos.
Segundo JD Vance, as forças norte-americanas "permitiram a passagem de mais de uma dúzia de navios".
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, celebrou em sua plataforma Truth Social a "queda dos preços do petróleo", que chamou de "sucesso". Os barris de petróleo eram negociados nesta sexta-feira abaixo de 80 dólares, com valores próximos aos níveis anteriores à guerra.
O outro front da guerra, o Líbano, não teve uma trégua. Pelo menos 18 pessoas morreram na madrugada de sexta-feira em bombardeios israelenses no sul do país, em várias localidades próximas a Nabatiyeh, segundo a agência oficial NNA.
Israel anunciou a morte de quatro de seus soldados. "Todo o Líbano deve queimar", declarou o ministro israelense da Segurança Nacional, o ultradireitista Itamar Ben Gvir.
Apesar do anúncio do acordo na segunda-feira, Israel prosseguiu com os ataques no Líbano contra o movimento pró-iraniano Hezbollah. O Irã insiste que um pacto definitivo deve incluir o fim das hostilidades neste país.
"A luta não terminou", declarou na quinta-feira o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que não comentou diretamente o acordo, duramente criticado em Israel, inclusive dentro do governo.
"Se eu estivesse no governo israelense, talvez não atacasse o único aliado poderoso que me resta no planeta", respondeu JD Vance após as críticas a Washington. Ele fez um apelo para que o governo israelense "tome consciência da realidade".
Netanyahu pediu para preservar a "relação vital" com os Estados Unidos, mas, ao mesmo tempo, reafirmou que as forças israelenses permanecerão no sul do Líbano "enquanto as necessidades de segurança exigirem".
Nos Estados Unidos, o acordo foi criticado por integrantes do Partido Republicano, de Trump, que consideram que o pacto oferece concessões excessivas ao Irã.
"É o pior erro de política externa em décadas", afirmou o senador republicano Bill Cassidy.
Em Teerã, Mina, uma psicóloga de 54 anos, duvida que o acordo seja "duradouro". "Talvez, depois de 60 dias, voltem a brigar", disse em entrevista à AFP a partir de Paris.
burx-tq/mr-arm/pc/avl/fp
M.Vogt--VB