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Israel e Hezbollah concordam com cessar-fogo no Líbano
Israel e o Hezbollah concordaram nesta sexta-feira (19) com um cessar-fogo, informou um funcionário americano, depois que combates entre o Exército israelense e o grupo libanês ameaçaram o acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio.
Após anunciar a morte de quatro soldados no Líbano, Israel lançou bombardeios naquele país, que deixaram 47 mortos, anunciou o Ministério da Saúde libanês. Foi o maior episódio de violência desde o anúncio de um acordo entre Washington e Teerã esta semana.
O acordo prevê um cessar-fogo "em todas as frentes, incluído o Líbano", uma condição na qual Teerã, aliado do Hezbollah, tinha insistido para encerrar o conflito.
Um funcionário americano informou mais cedo à AFP que Israel e o Hezbollah haviam concordado com um cessar-fogo com efeito imediato, negociado por mediadores americanos após conversas com Israel e Irã.
Um diplomata do Golfo, que falou sob a condição do anonimato, confirmou a trégua mediada "por Catar, Estados Unidos e Irã". Logo após o anúncio, porém, a agência de notícias estatal libanesa NNA reportou um ataque israelense na cidade de Sejoud e um correspondente da AFP ouviu tiros de artilharia na cidade de Nabatieh, ambas no sul do país.
As negociações na Suíça entre Estados Unidos e Irã para trabalhar na direção de uma solução duradoura foram adiadas. Em telefonema com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, o presidente libanês, Joseph Aoun, ressaltou hoje que um cessar-fogo total deveria ser garantido para que as negociações com Israel avançassem.
O Departamento de Estado anunciou a retomada das negociações de 23 a 25 de junho, em Washington. As discussões serão uma oportunidade para "conseguir avanços rumo a uma paz duradoura", disse o porta-voz do Departamento, segundo o qual, durante o telefonema com Aoun, "Rubio reiterou a necessidade de desarmar o Hezbollah e restabelecer o controle sobre todo o território libanês".
O embaixador israelense nos Estados Unidos, Yechiel Leiter, disse que seu país se comprometeria com um cessar-fogo se o Hezbollah o respeitasse.
- 'Todo o Líbano deve arder' -
Durante o dia, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, tinha ameaçado fazer o Hezbollah "pagar um preço muito alto" pela morte de militares israelenses e insistiu que suas forças continuariam no sul do Líbano.
"Todo o Líbano deve arder", declarou, por sua vez, o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, de extrema direita, levando o chanceler iraniano Abbas Araghchi a acusar Israel de querer "guerra permanente".
Muitos moradores fugiram do sul do país após os ataques, apertados em carros, alguns com colchões e pertences amarrados sobre os veículos, constatou um correspondente da AFP na região de Tiro.
"Estávamos em casa quando, de repente, começaram os bombardeios. Nenhuma cidade, nenhuma casa foi poupada", contou Zeinab Naser, de 69 anos, em meio a um congestionamento em Sidon, no sul do Líbano.
"Os aviões militares israelenses nunca deixam o céu. Esperamos que esse veneno [Israel] vá embora do nosso país e possamos viver", acrescentou.
- 'Não há pressa' -
No plano diplomático, o governo suíço anunciou o adiamento, sem nova data definida, das negociações previstas para esta sexta-feira entre Teerã e Washington.
A princípio, anunciou-se que este encontro devia servir para selar o pacto, mas por fim a assinatura foi feita eletronicamente pelos presidentes dos dois países, Donald Trump e Masoud Pezeshkian.
O líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, disse que o tinha aprovado, mas com reservas. No futuro, serão realizadas "negociações cara a cara" com os Estados Unidos, mas isso não "significa aceitar o ponto de vista do inimigo", assegurou na quinta-feira.
Como o texto já está assinado, "não há pressa em realizar este encontro na Suíça, mas planejamos uma reunião nos próximos dias", explicou o porta-voz da Chancelaria iraniana, Esmaeil Baqaei.
"Os próximos 60 dias serão cruciais. Podemos chegar a um acordo global, mas também esperamos um acordo incompleto, com algumas lacunas", afirmou uma fonte diplomática dos Emirados Árabes Unidos.
- Tráfego em Ormuz -
O tráfego no Estreito de Ormuz, que havia sido retomado na véspera, foi reduzido hoje, diante das novas exigências iranianas. As embarcações que desejarem atravessá-lo devem apresentar um pedido com 48 horas de antecedência.
No começo da guerra, o Irã fechou o Estreito, ao que os Estados Unidos responderam bloqueando os portos iranianos, uma medida revogada ontem.
Segundo os termos do protocolo, nenhuma taxa será cobrada por um período de 60 dias, informou a TV estatal iraniana, citando um comunicado do Conselho Supremo de Segurança Nacional.
Os preços do petróleo se estabilizaram hoje em torno dos 80 dólares para o barril do tipo Brent.
burx-tq-apz/mr-arm-jvb/meb/fp/jc/dbh/lm-jc/mvv-lb
R.Flueckiger--VB