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Sudoeste da Colômbia vai às urnas em clima marcado pela violência
"Aqui vivemos com muita ansiedade, com muito nervosismo", diz José Morán, morador de uma das regiões mais afetadas pela violência de grupos armados no sudoeste da Colômbia, que implora por paz às vésperas das eleições presidenciais de domingo (31).
Nesta semana, Morán chegou ao centro de reuniões do povoado e encontrou o telhado de zinco destroçado por mais um dos frequentes ataques com drones carregados de explosivos no município de Suárez, no departamento do Cauca.
Em meio à pior onda de violência da última década, os moradores escolherão no domingo o sucessor de Gustavo Petro, o primeiro presidente de esquerda da história do país, que impulsionou, sem sucesso, negociações de paz com diferentes grupos armados.
"E o mais triste é que as crianças, já veem um helicóptero (...) ouvem qualquer coisinha e na mesma hora dizem 'já vem a guerra!', então estão muito traumatizadas", diz este líder comunitário de 73 anos.
Rodeado por montanhas andinas cobertas de nuvens e vegetação tropical, Suárez é um vilarejo rural perto de uma base militar constantemente atacada por dissidências que se afastaram do acordo de paz com a extinta guerrilha das Farc em 2016.
Habitado em sua maioria pela população negra e indígena camponesa, Suárez é uma área de atuação das fileiras de Iván Mordisco, um dos principais comandantes das dissidências das Farc, que realizam ataques constantes contra a força pública e a população civil.
Os rebeldes se enfrentam com outras organizações pelo controle da mineração ilegal e do narcotráfico, em um país considerado o maior produtor de cocaína do mundo, segundo dados das Nações Unidas.
"Razão eles devem ter para ter seus conflitos, mas o problema é que ficamos no meio", lamenta Morán.
- "Um pouco de paz" -
Nas eleições presidenciais, estão em confronto duas visões sobre como pôr fim ao conflito armado de meio século no país.
O líder nas intenções de voto, segundo as pesquisas, o senador de esquerda Iván Cepeda, aposta em continuar com a política de "Paz Total" de Petro, criticada pela oposição.
Seu rival mais próximo, o advogado de direita Abelardo de la Espriella, defende, por sua vez, enfrentar as organizações com mão de ferro. Ele também planeja extinguir o tribunal instaurado com o acordo com as Farc, que julga os piores crimes do conflito com penas alternativas à prisão para quem contar a verdade sobre seus delitos.
Que o vencedor "ponha a mão no coração (...) e possa trazer um pouco de paz e tranquilidade", diz Flor Valencia, que administra uma escola em Suárez e viu o impacto do conflito nas crianças.
"Quando [as explosões] começam a soar, a gente tem vontade de chorar de desespero" e "as crianças ficam com muito medo", relata Valencia.
Petro manteve negociações de paz durante um ano com uma facção das dissidências liderada por Iván Mordisco, mas o líder rebelde abandonou as conversas em 2024 e redobrou sua ofensiva contra o Estado.
- Violência "fora de controle" -
Em 2025, Suárez registrou 77 ações com explosivos e drones, sobretudo contra a base militar e a delegacia de polícia, embora civis sejam regularmente afetados, afirma o prefeito César Cerón. A violência está "fora de controle", acrescenta.
Em um hotel localizado em frente à delegacia, os funcionários afirmam estar desesperados com os constantes ataques com carros‑bomba e drones.
"Os turistas, por medo da violência, não querem se hospedar aqui", reclama Tania Cervantes, administradora do estabelecimento.
"O próximo presidente (...) tem, sim, que nos oferecer segurança total", diz Cerón. Uma paz que, segundo ele, é alcançada, sobretudo, com políticas sociais que "ofereçam garantias econômicas às famílias".
S.Spengler--VB