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Israel avança no Líbano enquanto EUA destaca conversas 'produtivas' em Washington
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou nesta sexta-feira (29) que as forças israelenses avançaram no Líbano, no momento em que os dois países mantêm conversas militares em Washington, consideradas "produtivas" pelos Estados Unidos.
Israel ordenou a evacuação de localidades e manteve hoje seus ataques no sul do Líbano, que deixaram 11 mortos em três localidades da região de Tiro. Já o Hezbollah reivindicou a autoria de ataques contra alvos militares em Israel, na fronteira com o Líbano.
Esses confrontos aconteceram enquanto autoridades militares de Israel e do Líbano realizavam em Washington reuniões descritas como "produtivas" pelo Pentágono. "Recebi hoje no Pentágono delegações militares de Israel e do Líbano para a via de segurança que respalda as conversas de paz em curso entre os dois países", publicou no X o número dois do Departamento de Defesa, Elbridge Colby.
Oficialmente em guerra há décadas, Israel e Líbano iniciaram conversas diretas em abril, e uma quarta rodada deve acontecer na semana que vem, em Washington.
- "Muito difícil" -
O Hezbollah se opõe às conversas, e seu bloco parlamentar voltou a pedir ontem ao Líbano que se retire delas. Hoje, centenas de pessoas se reuniram em massa nos bairros da cidade antiga de Tiro, um enclave que escapou dos alertas israelenses, e muitas dormiram em seus carros ou em barracas de campanha.
Desde o começo da guerra, os ataques israelenses mataram 3.355 pessoas no Líbano e deixaram mais de 1 milhão de deslocados, segundo autoridades. Apenas na última semana, 15 crianças morreram e 62 ficaram feridas, segundo o Unicef.
Israel intensificou nos últimos dias sua ofensiva terrestre e aérea, e considera grande parte do sul do Líbano uma "zona de combate". Durante um encontro com soldados no norte de Israel, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu elogiou o avanço de seu exército em setores estratégicos e afirmou que os militares haviam cruzado o Litani, rio localizado a cerca de 30 km da fronteira.
Em Marjayoun, perto da linha de demarcação, moradores receberam mensagens do Exército israelense em seus celulares na noite de ontem, ordenando que eles permanecessem dentro do perímetro dessa cidade, predominantemente cristã, enquanto as tropas avançavam em direção à localidade vizinha de Debbine. Um jornalista da AFP observou tanques israelenses na estrada entre as duas localidades.
O presidente libanês, Joseph Aoun, disse ao chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, que uma trégua seria "um primeiro passo essencial" para um avanço nas negociações. Em outro comunicado, o Departamento de Estado ressaltou que Rubio havia "elogiado a coragem e visão do presidente Aoun ao promover negociações diretas com Israel", e reafirmou que o Hezbollah era "totalmente responsável pelos combates em curso".
Uma fonte militar libanesa declarou à AFP que a delegação de seu país "insistirá na necessidade de um cessar-fogo e apresentará o plano do Exército para um monopólio estatal das armas e a extensão da autoridade do Estado a todo o país".
C.Kreuzer--VB