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As recomendações da OMS para combater o hantavírus
Para limitar os riscos de transmissão do hantavírus, para o qual ainda não há tratamento nem vacina, a Organização Mundial de Saúde (OMS) prioriza diversas medidas, como que as pessoas retiradas do navio de cruzeiro fiquem em quarentena, que seu estado seja monitorado e que permaneçam atentas a possíveis sintomas.
- Quanto tempo de quarentena? -
As pessoas retiradas do cruzeiro MV Hondius devem ficar em quarentena, segundo a OMS, que recomenda "42 dias" de isolamento para os casos de contato, em casa ou em clínicas especializadas.
"Recomendamos uma vigilância ativa e o acompanhamento de todos os passageiros e membros da tripulação" que desembarcaram, "durante um período de 42 dias", declarou neste final de semana Maria Van Kerkhove, diretora da OMS para Prevenção e Preparação de Epidemias e Pandemias.
"As pessoas que voltarem para suas casas devem lavar as mãos com frequência e monitorar o aparecimento de qualquer sintoma precoce (dor de cabeça, vertigens, calafrios, febre, dores musculares, problemas gastrointestinais como náuseas, vômitos, diarreia e dor abdominal) durante seis semanas a partir de 10 de maio", disse a organização nesta segunda-feira (11) à AFP.
E por que 42 dias? Porque o período de incubação "pode se estender a até oito semanas para os hantavírus, mas pode ser de até seis semanas no caso do vírus Andes", explicou Van Kerkhove.
- O que os países devem fazer? -
A OMS recomenda reforçar a coordenação sanitária, fazer um acompanhamento de contatos e monitorar os casos suspeitos.
Em 8 de maio, esta agência da ONU indicou que "os contatos de alto risco podem incluir colegas de cabine, parceiros íntimos, pessoas que tenham tido uma exposição prolongada, permanecendo próximas, em espaços fechados; profissionais de saúde que tenham sido expostos sem proteção e pessoas que manuseiem materiais contaminados ou fluidos corporais sem um equipamento de proteção individual adequado".
No entanto, segundo a OMS, "os dados disponíveis não justificam, até o momento, o recurso sistemático a testes laboratoriais em contatos (...) nem a colocação de contatos de baixo risco em quarentena".
"Se surgirem os primeiros sintomas precoces ou de fadiga respiratória repentina, é preciso informar imediatamente as autoridades de saúde e permanecer em isolamento até que haja uma avaliação médica", disse a OMS à AFP.
Além disso, a organização fez um apelo aos países para que sejam "transparentes" ao comunicar, sobretudo para sensibilizar a população sobre os riscos de transmissão.
- Protocolos distintos -
Cada país adota um protocolo sanitário que considera mais adequado, embora, em geral, seguindo as orientações da OMS.
Contudo, uma autoridade de alto escalão dos Estados Unidos afirmou que os passageiros americanos evacuados do cruzeiro não serão necessariamente colocados em quarentena.
"Todos serão avaliados clinicamente e contarão com cuidados e acompanhamento adaptados ao seu estado", disse o Departamento de Saúde nesta segunda-feira.
Vários países, como Alemanha, Reino Unido, Suíça e Grécia, optaram por uma quarentena de 45 dias.
Questionado sobre esta diferença entre os Estados Unidos e outras nações, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, indicou no domingo que isso poderia "representar riscos".
- Estabelecimentos de saúde -
A OMS ressalta que uma identificação precoce dos casos suspeitos, seu rápido isolamento e o respeito constante às medidas de prevenção e de controle de infecções são essenciais.
A organização recomenda que, quando um caso suspeito for detectado, o paciente deve ser rapidamente transferido para uma emergência ou para cuidados intensivos.
Os hantavírus são tratados principalmente com medicamentos contra a febre e a dor. Além disso, o paciente deve permanecer sob observação constante e, em alguns casos, receber assistência respiratória, segundo a OMS.
burs-apo/ag/dth/jvb/pc/yr/aa
M.Schneider--VB