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Irã anuncia fechamento do Estreito de Ormuz em resposta aos ataques de Israel no Líbano
O Irã anunciou neste sábado (20) um novo fechamento do estratégico Estreito de Ormuz devido aos ataques de Israel no Líbano, que qualificou como uma violação de seu acordo com os Estados Unidos para pôr fim à guerra no Oriente Médio.
No sul do Líbano, tropas israelenses enfrentaram combatentes do Hezbollah enquanto seus caças lançavam ataques mortais neste sábado, poucas horas após os Estados Unidos anunciarem uma nova trégua na região.
Esses confrontos ameaçaram o memorando de entendimento assinado nesta semana pelo presidente americano, Donald Trump, e o iraniano, Masoud Pezeshkian, que prevê um cessar-fogo em todas as frentes da guerra, inclusive no Líbano, condição fundamental para o Irã.
Citando um "descumprimento de contrato" por parte dos Estados Unidos e "a violação contínua e implacável do cessar-fogo no sul do Líbano pelo regime sionista", o comando militar central do Irã anunciou neste sábado que "o Estreito de Ormuz será fechado à passagem de navios".
Após o anúncio, a Marinha dos Estados Unidos afirmou que se mantém "vigilante".
O estreito, uma importante via para o transporte de petróleo e gás, foi bloqueado pelo Irã durante grande parte da guerra, o que abalou os mercados mundias de energia.
O Irã havia concordado em reabri-lo no âmbito do memorando de entendimento com os Estados Unidos, e nos últimos dias o tráfego marítimo vinha sendo retomado aos poucos.
No plano diplomático, uma nova fase de negociações na Suíça deveria ter começado na sexta-feira, mas foi adiada por tempo indeterminado depois que Israel matou dezenas de pessoas no Líbano em bombardeios de represália pela morte de quatro soldados.
Na tarde de sexta-feira, um funcionário americano anunciou um cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah.
O embaixador israelense em Washington, Yechiel Leiter, assegurou que seu país iria respeitá-lo se o partido-milícia pró-iraniano também o fizesse.
Mas, poucas horas depois, o Exército israelense anunciou novos ataques contra o Hezbollah, a quem acusou de ter lançado durante a noite "mais de 50 projéteis" contra suas tropas no sul do Líbano.
O Hezbollah afirmou que Israel havia realizado, "sob o amparo do cessar-fogo [...] uma tentativa de infiltração em direção às colinas de Ali Taher", um ponto estratégico com vista para a cidade de Nabatieh, e acrescentou que seus combatentes "os enfrentaram com as armas apropriadas".
- Mais de 4.000 mortos no Líbano -
A agência de notícias libanesa NNA relatou bombardeios em cerca de vinte localidades no sul do país. A agência de defesa civil afirmou que 16 pessoas morreram apenas na região de Nabatieh, uma grande cidade do sul que tem sido alvo reiterado de ataques israelenses.
Um jornalista da AFP, no lado israelense da fronteira, ouviu múltiplas explosões vindas do Líbano e viu colunas de fumaça surgindo atrás do histórico forte de Beaufort, perto de Nabatieh, uma posição conquistada pelas tropas israelenses no mês passado.
O Hezbollah arrastou o Líbano para o conflito ao abrir fogo contra Israel em março para vingar a morte do líder iraniano, no primeiro dia de ataques israelenses-americanos que desencadearam a guerra.
Embora o cessar-fogo acertado entre o Irã e os Estados Unidos no início de abril tenha sido amplamente respeitado, não foi o caso no Líbano, onde foram anunciados três acordos de trégua que mal duraram algumas horas.
Desde 2 de março, quando começou a guerra entre Israel e o Hezbollah, os bombardeios israelenses no Líbano deixaram 4.057 mortos, segundo um balanço do Ministério da Saúde libanês divulgado neste sábado.
- Delegação iraniana rumo à Suíça -
A frente libanesa tem sido um dos principais obstáculos no diálogo entre Washington e Teerã, que finalmente acertaram um memorando de entendimento no início da semana.
O texto prevê o fim das hostilidades em todas as frentes, a reabertura do Estreito de Ormuz e o início de um período de 60 dias de negociações para tratar de questões espinhosas como o programa nuclear iraniano e a suspensão das sanções contra sua economia.
O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, deveria representar Washington no início dessa fase de diálogo, previsto para sexta-feira na Suíça, mas cancelou sua viagem.
Neste sábado, afirmou que "nos próximos dias" viajará à Suíça para manter diálogos de paz e que os negociadores americanos Jared Kushner e Steve Witkoff já se encontram no país cuidando de "alguns dos aspectos técnicos" das conversas com Teerã.
O Irã também enviou à Suíça uma delegação de negociadores, informou neste sábado sua Chancelaria cujo porta-voz, Esmaeil Baqaei, alertou que, se o acordo não for implementado "o mais rápido possível (...), todo o entendimento estará em risco".
Segundo o Paquistão, no domingo serão realizadas "conversas técnicas" entre representantes de Washington e Teerã, com a participação de mediadores do Paquistão e do Catar.
Neste sábado, diplomatas de vários países já se reuniram no luxuoso complexo de Bürgenstock, perto de Lucerna, para reuniões preparatórias, segundo o governo suíço.
burs/smw/jsa/dbh/jvb/ahg/jc
U.Maertens--VB