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Espanha inicia três dias de luto por acidente ferroviário que deixou pelo menos 41 mortos
Coincidindo com o primeiro dos três dias de luto nacional decretados pelo Governo, os reis da Espanha visitarão, nesta terça-feira (20), a região da Andaluzia onde dois trens colidiram no domingo (18) e deixaram pelo menos 41 mortos.
Em um novo balanço divulgado no início da madrugada, o governo regional da Andaluzia informou que foi encontrado mais um corpo entre os destroços de um dos comboios, elevando o número de mortos para 41.
"O número de mortos subiu para 41, depois de o corpo de uma pessoa ter sido encontrado na noite passada em um dos vagões" do trem da empresa Iryo, informou o governo da Andaluzia em relação ao acidente ocorrido em Adamuz, província de Córdoba. O número de mortos poderá aumentar ainda mais, uma vez que as buscas não acabaram.
Além disso, "39 pessoas seguem internadas em vários hospitais da Andaluzia, 35 adultos e quatro crianças. Treze pacientes, todos adultos, permanecem na UTI", acrescentaram as autoridades.
O ministro de Transportes, Óscar Puente, estimou nesta terça-feira a hipótese de que o número final de mortos poderia acabar por se assemelhar ao das denúncias de desaparecidos, 43.
"O que precisa ser feito é cruzar os dados das pessoas desaparecidas ou denúncias de desaparecimento com os de mortos, e ontem, pelo menos no final do dia, os números eram mais ou menos os mesmos", explicou ele à rádio Onda Cero.
- Máquinas pesadas para o resgate -
Equipes de resgate no local trabalham para levantar os vagões de um dos trens, que caiu em um aterro de uma altura de 4 metros.
Diversos guindastes chegaram para esse fim. Em comunicado, o governo da Andaluzia explicou que foram realizados "trabalhos de compactação do solo" para garantir a segurança dos guindastes.
O presidente da região da Andaluzia, Juan Manuel Moreno Bonilla, estimou na noite de segunda-feira que as autoridades precisariam de "24 a 48 horas" para determinar "com certeza" o número de vítimas do acidente.
No domingo, às 19h45, horário local (15h45 no horário de Brasília), dois trens de alta velocidade que trafegavam em trilhos paralelos colidiram, com aproximadamente 500 passageiros a bordo no total.
Os últimos vagões de um trem operado pela empresa privada Iryo, subsidiária em 51% do grupo estatal italiano Ferrovie dello Stato (Trenitalia), descarrilaram enquanto viajavam de Málaga para Madri.
Os vagões acabaram nos trilhos adjacentes justamente quando um trem da empresa estatal espanhola Renfe, que viajava na direção oposta, de Madri para Huelva, no sudoeste, estava prestes a passar e colidiu com eles.
Os quatro vagões do trem de Renfe, completamente descarrilados, tombaram. Dois deles parecem ter sido esmagados pelo impacto, de acordo com imagens aéreas divulgadas pela Guarda Civil espanhola.
Algumas centenas de metros adiante, era possível ver o trem vermelho da Iryo, com a maioria dos vagões ainda sobre os trilhos e os dois últimos tombados de lado.
- Erro humano "descartado" -
Após descartar inicialmente o excesso de velocidade dos dois trens, que colidiram em um trecho reto da linha férrea, e um erro humano, as explicações agora se concentram nos trilhos e nos próprios trens.
"O erro humano está praticamente descartado", declarou o presidente da Renfe, Álvaro Fernández Heredia, na segunda-feira, à rádio pública RNE.
Em particular, uma foto tirada pela Guarda Civil, que mostra agentes inspecionando um trilho com um pedaço faltante, alimentou grande parte das especulações.
O ministro Puente afirmou ser muito cedo para saber se o pedaço faltante foi "causa ou consequência" do acidente.
"Há muitas rupturas nos trilhos quando um trem descarrila (...) e há uma ruptura inicial", disse Puente à Onda Cero.
"A questão é determinar — e neste momento nenhum técnico consegue confirmar ou sequer afirmar isso — se a ruptura foi causa ou consequência, e isso não é pouca coisa", enfatizou o ministro.
Puente insistiu em classificar o acidente, ocorrido em um trecho recém-reformado da linha férrea, como "estranho".
Enquanto isso, o rei Felipe VI e a rainha Letizia têm visita agendada ao local do acidente nesta terça-feira.
O acidente aconteceu perto da localidade de Adamuz, cujos moradores se mobilizaram imediatamente para ajudar os sobreviventes, transportando-os para um local seguro, oferecendo-lhes comida e bebida e acolhendo-os em suas casas.
Os serviços ferroviários entre Madri e a Andaluzia foram suspensos e provavelmente não serão totalmente restabelecidos até 2 de fevereiro.
Em julho de 2013, a Espanha sofreu uma grave tragédia ferroviária quando um trem descarrilou pouco antes de chegar à cidade galega de Santiago de Compostela, deixando 80 mortos.
L.Stucki--VB