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Países europeus ameaçados por Trump prometem 'permanecer unidos'
Os oito países europeus ameaçados com tarifas por não concordarem com a ambição do presidente americano, Donald Trump, de tomar a Groenlândia afirmaram neste domingo (18)que vão permanecer unidos, antes de uma reunião de emergência da União Europeia (UE) para elaborar uma resposta.
Esses países estão na mira dos Estados Unidos por terem enviado, na semana passada, uma missão militar ao território autônomo da Dinamarca no Ártico.
Vários líderes europeus criticaram neste domingo a ameaça de Trump, e alertaram que a pressão prejudica as relações transatlânticas.
Segundo fontes diplomáticas, teve início no fim da tarde uma reunião de emergência em Bruxelas entre os embaixadores dos 27 países da UE, que não deve resultar em anúncios. O objetivo do encontro é uma troca de opiniões sobre as novas ameaças comerciais de Trump.
Desde que voltou para a Casa Branca, o republicano insiste em assumir o controle da Groenlândia, alegando motivos de segurança nacional, diante dos avanços russos e chineses no Ártico.
Em resposta à tensão entre Washington e Copenhague, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia enviaram tropas à Groenlândia para uma missão de treinamento.
Na última sexta-feira, Trump aventou a ameaça de tarifas aduaneiras, que intensificou no dia seguinte. "Esses países estão jogando um jogo extremamente perigoso", publicou na plataforma Truth Social.
Incomodado com a mobilização de forças militares europeias, o presidente americano ameaçou esses países com a imposição de novas tarifas até que "se chegue a um acordo para a compra completa e íntegra da Groenlândia".
As tarifas de 10% entrariam em vigor em 1º de fevereiro e poderiam subir para 25% em 1º de junho.
Em comunicado conjunto, os oito países ameaçados responderam que "as ameaças tarifárias minam as relações transatlânticas e podem provocar uma espiral perigosa". "Permaneceremos unidos e coordenados em nossa resposta. Estamos comprometidos com a defesa da nossa soberania", ressaltaram, sobre a crise inédita entre membros da Otan.
- 'Chantagem' -
O presidente francês, Emmanuel Macron, e a chefe de governo italiana, Giorgia Meloni, subiram o tom frente às ameaças de Trump. Macron disse que pretende pedir a ativação do Instrumento Anti-Coerção da UE, cuja aplicação requer uma maioria qualificada.
Esse mecanismo é concebido para lutar contra ameaças econômicas de membros externos ao bloco. Permite, entre outros, congelar o acesso aos mercados públicos europeus ou bloquear determinados investimentos.
A primeira-ministra italiana assegurou, por sua vez, ter dito a Trump que suas ameaças de impor novas tarifas aduaneiras a países europeus eram "um erro".
O ministro holandês das Relações Exteriores, David van Weel, chamou as advertências de "chantagem", em entrevista ao programa de TV WNL Op Zondag.
"Não tenho dúvida de que existe um forte apoio europeu", declarou Rasmussen. O chanceler ressaltou que a Europa é mais forte quando mostra seu poder "coletivamente".
- Conversa entre Rutte e Trump -
Desde que voltou ao poder, Donald Trump usa as tarifas em suas relações internacionais para exercer pressão e alcançar seus objetivos, inclusive com parceiros tradicionais de Washington.
Mas, neste caso, trata-se de uma ameaça sem precedentes: os Estados Unidos, pilares da Otan, ameaçam com sanções seus aliados dentro da Aliança para se apoderar de um território vinculado à Dinamarca, um de seus sócios e um país soberano e democrático.
O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, disse hoje que conversou com Trump "sobre a situação da segurança na Groenlândia e no Ártico". "Continuaremos trabalhando nisso, e espero vê-lo em Davos no fim da semana", publicou no X.
Milhares de pessoas protestaram ontem em Copenhague, capital da Dinamarca, e Nuuk, capital da Groenlândia, contra essas ambições territoriais. Segundo uma pesquisa publicada em janeiro de 2025, 85% dos groenlandeses se opunham à anexação da ilha pelos Estados Unidos, e 6% eram favoráveis.
P.Vogel--VB