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Chile lança Latam-GPT, IA que busca romper preconceitos sobre a América Latina
O Chile lança nesta terça-feira (10) o Latam-GPT, um projeto destinado a oferecer à América Latina seu próprio modelo de inteligência artificial, em um setor dominado por grupos americanos, com o objetivo de limitar tendências observadas nos sistemas atuais.
O projeto é impulsionado pelo Centro Nacional de Inteligência Artificial do Chile (Cenia), uma corporação privada com financiamento público.
O Latam-GPT conta com o apoio de universidades, fundações, bibliotecas, entidades governamentais e organizações da sociedade civil de países como Chile, Uruguai, Brasil, Colômbia, México, Peru, Equador e Argentina.
O Latam-GPT quer romper “preconceitos” e evitar que a representação da América Latina no restante do mundo “pareça toda igual”, diz à AFP o ministro da Ciência do Chile, Aldo Valle.
A região “não pode ser apenas usuária ou receptora passiva dos sistemas de inteligência artificial. Isso pode ter como consequência perder boa parte de nossas tradições”, acrescenta.
Apesar do nome, a ferramenta não é um chat com o qual se pode interagir. Trata-se de uma “grande base de dados” treinada a partir de informações da região, que pode servir para desenvolver aplicações tecnológicas, explica o ministro Valle.
- Limites -
O desenvolvimento dos grandes modelos de IA está concentrado principalmente nos Estados Unidos, China e Europa. Além do Latam-GPT, surgiram outras alternativas, como o SEA-LION, do Sudeste Asiático, ou o UlizaLlama, na África, mais voltadas para suas próprias culturas.
Para treinar o Latam-GPT, foram reunidos mais de oito terabytes de informação, equivalentes a milhões de livros.
Essa IA foi criada com apenas 550 mil dólares (2,85 bilhões de reais), procedentes principalmente do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), de recursos próprios, além de convênios com outras instituições.
Sua primeira versão foi desenvolvida na nuvem da Amazon Web Services, mas, no futuro, será treinada em um supercomputador que deve ser instalado na Universidade de Tarapacá, no norte do país, e que custou quase 5 milhões de dólares (25,96 milhões de reais).
“Os modelos desenvolvidos em outras partes do mundo, embora tenham dados da América Latina, representam uma proporção bastante pequena”, afirma à AFP Álvaro Soto, diretor do Cenia.
Nesta etapa, as informações do modelo estão principalmente em espanhol e português, embora o objetivo seja incorporar também conteúdos em línguas indígenas do continente.
No entanto, “não há nenhuma possibilidade de que (Latam-GPT) possa competir com os grandes modelos de IA”, afirma à AFP Alejandro Barros, professor do Departamento de Engenharia Industrial da Universidade do Chile.
Para o acadêmico, a diferença orçamentária é decisiva, já que outros projetos contam com “centenas de milhões de dólares e, em alguns casos, bilhões de dólares para infraestrutura”.
- O futuro -
Latam-GPT é uma plataforma gratuita que deve servir para desenvolver aplicativos e tecnologia “mais específicas para a região”, diz Soto. Um exemplo disso poderiam ser ferramentas digitais para “hospitais com problemas logísticos ou de utilização de recursos médicos”.
Uma das primeiras empresas a utilizar o Latam-GPT será a chilena Digevo, que desenvolverá chats de conversação especializados em atendimento ao cliente para companhias aéreas ou empresas de comércio.
Essas empresas “estão muito interessadas em que seus usuários se expressem e recebam respostas em linguagem local”, afirma à AFP Roberto Musso, diretor da Digevo, empresa dedicada ao desenvolvimento de aplicações digitais.
Segundo Musso, a Latam-GPT oferece a capacidade de reconhecer “gírias, modismos e até a velocidade de falar” e evitar “problemas de imparcialidade” que podem ocorrer em outros modelos de IA.
G.Frei--VB