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Para Francisco recebe multidão pela última vez
Um "viva, viva" soou entre os longos aplausos a Francisco neste sábado(26), última vez que esteve entre uma multidão de fiéis, que o acompanharam da Basílica de São Pedro até a de Santa Maria Maior, local de seu sepultamento.
A bordo do papamóvel, seu caixão percorreu 4 km pela Cidade Eterna, passando pelo icônico Coliseu Romano e pelos Fóruns Imperiais.
"Grazie, Francesco", dizia uma faixa branca com letras vermelhas gigantes pendurada em um prédio em frente à basílica onde o primeiro pontífice latino-americano foi enterrado.
Os aplausos deram lugar ao silêncio quando o caixão foi retirado do veículo e desapareceu pelas portas da imponente igreja do século V, localizada no coração de Roma.
Um casal chorou serenamente sem tirar os olhos do templo.
"Foi muito comovente, muito triste como ele nos deixou", disse María Vicente, uma guatemalteca de 52 anos, com os olhos vidrados.
- "Mais comum, mais humano" -
Romina Cacciatore, 48 anos, chegou com a família com sete horas de antecedência para garantir um bom lugar para ver o papa.
Além da nacionalidade argentina, compartilham uma história em comum. Seu filho nasceu no mesmo dia em que Francisco foi eleito, 13 de março de 2013, e ela, sem saber, o batizou como Francesco.
E conseguiu conhecê-lo três anos depois em uma audiência. Ele lhe deu um rosário que guarda "em uma caixinha com o que tem de mais precioso", disse Cacciatore à AFP.
"Ele era um ser de luz, irradiava paz", disse. "Isso acabou tornando a Igreja em algo mais comum, mais humano" e "valorizou muito os imigrantes, que muitas vezes são os mais marginalizados".
O enterro privado durou cerca de meia hora, mas as pessoas permaneceram nas proximidades de Santa Maria Maior por mais tempo.
O público poderá visitar o túmulo a partir de domingo.
"Eu queria superar qualquer obstáculo para estar perto dele", confessou María del Carmen Molinas, uma paraguaia de 60 anos residente na Espanha.
- "Santo em vida" -
A Missa de Exéquias de Francisco foi realizada na Praça de São Pedro e reuniu 250 mil fiéis.
Andrea Ugalde estava entre eles. Ela não dormiu. Chegou ao Vaticano de madrugada e correu o mais rápido que pôde para estar na "primeira fila".
"Foi uma experiência incrível, linda e gratificante", disse a mulher de 39 anos após a cerimônia.
"Valeu a pena não ter dormido", disse a mulher, que comprou uma passagem de Los Angeles para Roma assim que soube da morte do papa.
Milhares de pessoas rapidamente lotaram a avenida, a praça e arredores.
Muitos dos participantes eram jovens peregrinos com bandeiras e faixas penduradas nos ombros, enquanto padres em trajes completos circulavam sob as majestosas colunatas da famosa praça de Bernini.
Alguns cumpriam rosários e orações silenciosas enquanto se encostavam nas colunas. Outros posaram para fotos vestindo camisetas com o rosto do papa e uma pomba, com a basílica ao fundo.
"Foi um santo em vida", disse Gabriela Bracamonte que viajou da Argentina com um grupo de fiéis para a canonização adiada de Carlo Acutis, o primeiro santo millennial.
"Veio para revolucionar a Igreja Católica, com coisas muito novas, muito positivas e muito amor pelas pessoas", acrescentou.
Ugalde concordou: o papa "é a definição de um ser humano".
A.Ammann--VB