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Colômbia interrompe compra de armas dos EUA após fim da certificação como aliada no combate às drogas
Em meio as tensões com seu principal parceiro militar, a Colômbia interromepu a compra de armamento dos Estados Unidos em represália à decisão de Washington de retirar sua certificação como aliado antidrogas, anunciou, nesta terça-feira (16), o governo.
Na segunda-feira (15), o governo de Donald Trump considerou insuficiente os esforços de Bogotá para conter o tráfico de drogas e deixou de reconhecê-lo como parceiro na guerra contra as drogas, em meio a um impasse nas relações com o presidente de esquerda, Gustavo Petro.
Em resposta a esta decisão, o ministro do Interior da Colômbia, Armando Benedetti, assegurou que "a partir deste momento" "não serão compradas armas dos Estados Unidos", em uma entrevista à Blu Radio.
Visivelmente chateado e no meio de um conselho de ministros, na segunda-feira, Petro pôs fim à "dependência" das forças armadas colombianas das "esmolas" e "presentes" dos Estados Unidos.
"O exército se sai melhor se comprar suas armas ou as fabricar com nossos próprios recursos, porque se não, não será um exército de soberania nacional", disse junto com seus ministros após antecipar o anúncio de Washington sobre a retirada da certificação.
Os Estados Unidos removeram o país sul-americano da lista de nações que lutam contra o tráfico de drogas, mas com uma isenção das sanções que teriam causado os cortes mais severos.
Em 2023, as armas importadas dos Estados Unidos representaram 1,2 milhão de dólares (cerca de 6,3 milhões de reais), segundo o centro independente Observatório de Complexidade Econômica.
Desde 1986, os Estados Unidos realizam uma avaliação anual sobre os esforços antidrogas de cerca de 20 países - produtores e distribuidores de drogas - em troca de recursos. No caso da Colômbia, representa uma ajuda de cerca de 380 milhões de dólares (aproximadamente 2 bilhões de reais) anuais.
Entre 2000 e 2018, os Estados Unidos entregaram à Colômbia mais de 10 bilhões de dólares (cerca de 53,2 bilhões de reais), segundo o Congresso americano, para fins militares, sociais e de erradicação de cultivos ilícitos.
- "Presidente fantoche"-
O fim deste reconhecimento significa um golpe sensível para a força pública colombiana, que combate os cartéis e as guerrilhas com armamento proveniente dos Estados Unidos, seu principal aliado militar.
"Simplemente, os EUA participam na política interna da Colômbia, querem um presidente fantoche", escreveu Petro, nesta terça-feira, na rede X.
E continuou: "Não vou colocar a nação de joelhos e permitir que os camponeses sejam espancados. Nós não somos cipayos".
O ministro Benedetti afirmou que, daqui em diante, a Colômbia buscará novos sócios para adquirir armas e deu como exemplo a recente aquisição de uma frota de aviões de combate da Suécia.
"Os Estados Unidos, como país capitalista, precisam entender que também existem questões de mercado", disse.
Em 2024, Petro suspendeu a compra de armamento de Israel devido à sua ofensiva em Gaza.
A Colômbia rejeita a decisão de Washington e defende que continua afetando os grupos armados que se financiam com cocaína através de apreensões e prisões.
Por outro lado, critica os Estados Unidos por "não reduzir o consumo de cocaína e fentanil em sua sociedade". "Esta é a principal causa do tráfico de drogas, a outra é a própria proibição", insistiu Petro.
Até o momento de 2025, o país apreendeu 700 toneladas de cocaína e destruiu o número recorde de 4.570 laboratórios clandestinos, segundo dados do Ministério da Defesa.
M.Betschart--VB