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Brasil ainda espera concessão de vistos dos EUA para Assembleia Geral da ONU
O Itamaraty anunciou, nesta segunda-feira (15), que as autoridades americanas ainda não concederam vistos para parte da delegação brasileira participar da Assembleia Geral da ONU, na próxima semana, em Nova York, em um contexto de tensões comerciais e diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos.
"Com relação a vistos [para a delegação brasileira], a gente tem indicação do governo americano que os [vistos] que ainda não foram concedidos estão em vias de processamento", disse um funcionário do Ministério das Relações Exteriores durante coletiva de imprensa.
Marcelo Marotta Viegas, diretor do departamento de organismos internacionais do Itamaraty, assinalou que uma eventual negativa para conceder os vistos seria uma "violação legal" dos Estados Unidos, mas disse contar que a situação seja resolvida a tempo.
Viegas não deu detalhes sobre o número de vistos pendentes de aprovação.
"É preocupante", disse, por sua vez, Stéphane Dujarric, porta-voz do secretário-geral da ONU, António Guterres, sobre o atraso na concessão dos vistos.
No entanto, ele assinalou que "ainda há tempo" para serem aprovados antes da Assembleia Geral das Nações Unidas.
As relações entre Brasília e Washington ficaram tensas pelo processo legal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), aliado do presidente americano, Donald Trump, condenado na semana passada a 27 anos de prisão por chefiar uma trama golpista, entre outros crimes.
O chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, disse, nesta segunda, que Washington adotará novas medidas contra o Brasil, sem entrar em detalhes.
"Teremos alguns anúncios na próxima semana aproximadamente sobre quais passos adicionais pretendemos dar", disse Rubio em entrevista ao canal Fox News em Jerusalém.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) viajará na próxima semana a Nova York para dar o tradicional discurso na abertura da Assembleia Geral, além de participar de reuniões bilaterais e outros eventos.
Segundo Viegas, o Brasil já protestou na semana passada contra as restrições durante uma reunião de um comitê da ONU convocada para discutir a negativa dos Estados Unidos de conceder vistos a 80 palestinos, inclusive o presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas.
Trump impôs tarifas aduaneiras de 50%, entre as mais altas do mundo, para boa parte da cesta de produtos importados do Brasil por considerar o julgamento de Bolsonaro uma "caça às bruxas".
Os Estados Unidos também revogaram os vistos da maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski.
G.Haefliger--VB