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Audiência em julgamento da morte de Maradona foca em sua internação domiciliar
Hospitalização ou assistência domiciliar? Monitoramento médico diário ou semanal? O julgamento dos profissionais de saúde pela morte de Diego Maradona se aprofundou nas condições em que o craque passou seus últimos dias antes de morrer em 2020.
Maradona faleceu de edema pulmonar causado por insuficiência cardíaca enquanto estava internado em casa após uma neurocirurgia, de acordo com a autópsia.
Dois funcionários da operadora de saúde responsável pelo atendimento domiciliar indicaram que os médicos pessoais de Maradona, acusados no caso, pediram para escalonar as consultas com visitas do clínico geral e não solicitaram nenhum equipamento além de uma cadeira sanitária, que lhes foi fornecida.
O coordenador de assistência domiciliar da prestadora, Enrique Barrio, disse ao tribunal que os médicos que tratavam de Maradona inicialmente solicitaram uma visita de um clínico geral uma vez por dia na casa, mas que isso nunca se concretizou, pois a solicitação passou a ser semanal antes de ele ser transferido para a residência.
As declarações foram dadas no julgamento na Argentina contra a equipe de especialistas encarregada da saúde de "El Diez", que morreu em 25 de novembro de 2020, em Tigre, na província de Buenos Aires.
Barrio explicou que a operadora de saúde não oferece um serviço chamado "internação domiciliar", mas sim "atendimento domiciliar", que é menos complexo.
No entanto, um dos advogados de acusação destacou para a testemunha que o site da empresa inclui o termo "atendimento domiciliar" entre os serviços oferecidos.
"Nós fornecemos o aparelho de pressão arterial, mas não fornecemos o cardioversor-desfibrilador ou o monitor", esclareceu sobre os equipamentos disponíveis para atendimento domiciliar.
- Acúmulo de responsabilidades -
Uma das rés é Nancy Forlini, coordenadora médica de atendimento domiciliar da operadora de saúde, que atuou como elo entre os médicos de Maradona e a assistência social.
No início da audiência, a psiquiatra Ana Waisman deu seu depoimento. Ela foi convocada para uma interconsulta no início de novembro, quando Maradona ainda estava internado, mas ele se recusou a recebê-la.
Desde então, Waisman continuou a falar com Agustina Cosachov, a psiquiatra acusada no caso, com quem trocou opiniões sobre tratamento e medicação.
Para Waisman, a medicação psiquiátrica que Maradona tomou nos últimos dias "era compatível" com sua condição, e quaisquer efeitos adversos poderiam ser evitados "monitorando seus sinais vitais uma vez por dia".
Médicos, enfermeiros, um psiquiatra e um psicólogo respondem por homicídio doloso, uma acusação que implica que eles sabiam que suas ações poderiam resultar na morte do paciente e pela qual poderiam passar de oito a 25 anos na prisão.
Uma oitava ré — uma enfermeira — será julgada em um caso separado.
A audiência, que terminou às 18h00 (horário local e de Brasília), continuará na próxima quinta-feira. A promotoria ainda não anunciou quem serão as testemunhas nessa sessão.
U.Maertens--VB