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Irã e EUA lançam ataques cruzados que deixam um morto no Kuwait
rã e Estados Unidos trocaram acusações, nesta quarta-feira (3), de violações do frágil cessar-fogo com ataques cruzados no Golfo, onde projéteis de Teerã atingiram o aeroporto do Kuwait e mataram uma pessoa.
As hostilidades representam um novo desafio à frágil trégua iniciada em 8 de abril entre os dois lados que, segundo o presidente americano, Donald Trump, ainda mantêm contatos para estabelecer uma paz duradoura.
Outra ameaça ao cessar-fogo são as operações militares em curso no Líbano, onde ataques israelenses atingiram as proximidades de Beirute e deixaram seis mortos no sul do país.
A retomada dos ataques e a falta de avanços nas negociações levaram a um novo aumento nos preços do petróleo, que já estavam abalados pela guerra e seu impacto no Estreito de Ormuz, crucial para o comércio de hidrocarbonetos.
Washington e Teerã acusaram a outra parte por estas hostilidades, que resultaram no fechamento do Aeroporto Internacional do Kuwait, alvo de um ataque com drones que matou uma pessoa e feriu várias outras, segundo o Ministério das Relações Exteriores do Kuwait.
Sede de bases militares americanas, esta pequena nação do Golfo sofreu inúmeros ataques iranianos em retaliação à ofensiva israelense-americana de 28 de fevereiro, que desencadeou a guerra.
Segundo o Comando do Exército dos Estados Unidos para o Oriente Médio (Centcom), o Irã lançou vários mísseis durante a noite contra países da região, dos quais todos "erraram seus alvos".
"Dois mísseis iranianos lançados em direção ao Kuwait caíram antes de atingir o território ou se desintegraram em voo, e três mísseis lançados em direção ao Bahrein foram imediatamente interceptados", afirmou o Centcom em nota.
O comunicado também menciona outro ataque contra "marinheiros civis" no mar, mas não especifica o local.
Em resposta, o Exército americano lançou "ataques defensivos" contra a ilha iraniana de Qeshm, localizada no Estreito de Ormuz.
A Guarda Revolucionária do Irã reconheceu um ataque a um navio ligado a Israel e aos Estados Unidos, assim como bombardeios contra um país não especificado na região e contra a Quinta Frota dos EUA estacionada no Bahrein.
No entanto, de acordo com o exército ideológico de Teerã, as ações foram uma resposta ao lançamento de um míssil americano contra um petroleiro iraniano no Estreito de Ormuz e ao ataque à ilha de Qeshm.
- "Sem interrupção" -
Desde o início do conflito, os países do Golfo, aliados de Washington, têm sido alvo de repetidos ataques iranianos contra bases americanas em seus territórios ou contra seus interesses econômicos.
Em um comunicado divulgado nesta quarta-feira, o Ministério das Relações Exteriores do Irã denunciou os Estados Unidos por seu "uso colonialista" desses países e atribuiu "responsabilidade direta" ao Kuwait e ao Bahrein pelos ataques.
A escalada ocorre em meio a um impasse diplomático. A mídia iraniana afirmou na segunda-feira que Teerã suspendeu as negociações indiretas com Washington após a ofensiva israelense no Líbano.
Em resposta aos rumores, Trump negou na terça-feira que os contatos com Teerã tivessem sido suspensos e afirmou que eles continuavam "sem interrupção".
No entanto, um acordo ainda parece distante.
O presidente americano teria endurecido suas exigências, segundo relatos da imprensa. Por exemplo, ele estaria insistindo em abordar a espinhosa questão do programa nuclear iraniano, que Teerã deseja adiar.
- A frente libanesa -
Outro ponto crucial de atrito é o cessar-fogo no Líbano, considerado por Teerã uma "condição essencial" para qualquer acordo.
A Guarda Revolucionária ameaçou abrir "novas frentes" em retaliação aos ataques israelenses no país, onde o exército de Israel avança mais profundamente do que nunca nos últimos 30 anos, com o objetivo declarado de "eliminar" o movimento pró-Irã Hezbollah.
Nesta quarta-feira, as forças israelenses bombardearam um veículo ao sul de Beirute, segundo a agência de notícias oficial NNA, e mataram seis pessoas em ataques aéreos perto da cidade de Tiro, no sul do país, informou uma fonte médica à AFP.
O Líbano foi arrastado para a guerra quando o Hezbollah abriu uma frente contra Israel em 2 de março, em represália à morte do líder iraniano, o aiatolá Ali Khamenei.
Desde então, mais de 3.465 pessoas morreram no Líbano em consequência da ofensiva israelense. Um cessar-fogo foi anunciado em 17 de abril, mas foi violado por ambos os lados.
Em meio a dois dias de negociações entre israelenses e libaneses em Washington, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou na terça-feira que os dois países poderiam concluir um acordo de paz "já amanhã", não fosse o Hezbollah.
No entanto, a condução da frente libanesa também evidenciou as crescentes divergências entre Trump e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, a respeito dessa guerra.
Segundo o portal Axios, Trump proferiu uma série de insultos a Netanyahu durante um telefonema, temendo que as ameaças deste último de bombardear Beirute comprometessem as negociações com o Irã.
"Você está louco para caralho", teria dito Trump a ele.
T.Zimmermann--VB