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Ataque russo em larga escala deixa 13 mortos e dezenas de feridos na Ucrânia
As forças russas atacaram a Ucrânia na madrugada de terça-feira (2) com centenas de drones e dezenas de mísseis balísticos que deixaram ao menos 13 mortos no país, quatro deles em Kiev, informaram as autoridades.
Moscou iniciou em fevereiro de 2022 uma ofensiva em larga escala contra a Ucrânia, com bombardeios diários contra várias cidades, o que levou Kiev a intensificar as ações de retaliação.
Desde o fim da semana, as autoridades ucranianas advertiam sobre a possibilidade de um grande ataque da Rússia.
Na capital ucraniana, as sirenes de alerta aéreo foram acionadas e explosões intensas foram registradas durante toda a noite. Alguns moradores seguiram para abrigos e estações de metrô.
O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andriy Sybiga, afirmou que os ataques demonstram que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, "está ficando sem opções militares" em sua invasão.
"Putin é um criminoso de guerra e um perdedor que não tem mais cartas além do terror. Moscou está perdendo no campo de batalha. Nenhuma quantidade de mísseis pode mudar isso", afirmou nas redes sociais.
- Zelensky pede munições -
O Exército russo anunciou um "ataque em larga escala" contra instalações do complexo militar-industrial da Ucrânia, no qual foram utilizadas "armas de alta precisão", como projéteis hipersônicos.
O ataque, uma "resposta aos atos terroristas do regime de Kiev", atingiu, durante a noite, alvos na capital ucraniana, assim como em Zaporizhzhia (sul), Kharkiv (leste) e Dnipropetrovsk (centro-leste), afirmou o Ministério da Defesa russo em um comunicado.
Também foram atingidas instalações de energia e de transporte vinculadas ao Exército ucraniano em outras regiões, segundo a mesma fonte.
A Força Aérea da Ucrânia informou que Moscou lançou 656 drones e 73 mísseis balísticos. Do total, 602 aeronaves não tripuladas e 40 projéteis — mais difíceis de interceptar — foram derrubados.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, reivindicou o desenvolvimento de sistemas de defesa aérea europeus e fez um apelo para que o governo dos Estados Unidos forneça munições para os sistemas Patriot, que "são absolutamente necessárias".
Correspondentes da AFP observaram explosões e grandes colunas de fumaça em Kiev durante o amanhecer. Ao menos uma parte da cidade ficou sem energia elétrica após o bombardeio.
"Confirmamos a morte de quatro pessoas na capital", afirmou o prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, no Telegram. Ele também informou um balanço de 65 feridos.
No leste, na cidade industrial de Dnipro, o governo local informou que nove pessoas morreram, incluindo uma criança, e 35 ficaram feridas.
Uma maternidade com recém-nascidos e mulheres em trabalho de parto também foi atingida em Odessa, no sul do país, informaram as autoridades, que não relataram vítimas no centro de saúde.
- Ataques mais intensos -
Do lado russo, um civil morreu na segunda-feira na região de Kursk, perto da fronteira, em um ataque com drones ucranianos, informou o governador Aleksandr Khinchtein.
Um incêndio foi registrado na refinaria de Ilski, na região de Krasnodar, sul da Rússia, após um ataque com as aeronaves não tripuladas, segundo o quartel-general operacional da região.
Zelensky declarou na sexta-feira que Moscou preparava "um novo ataque em larga escala" contra a Ucrânia, enquanto a Rússia pediu aos diplomatas estrangeiros que abandonassem Kiev.
Em maio, a Rússia lançou 211 mísseis contra a Ucrânia, um dos números mais elevados desde o início do conflito. Um deles foi um projétil de alcance intermediário Oreshnik, capaz de transportar ogivas nucleares, utilizado pela terceira vez na guerra.
A Rússia também lançou 8.150 drones de longo alcance contra a Ucrânia em maio, 24% a mais do que em abril, segundo uma compilação dos dados publicados diariamente.
O número recorde de ataques com drones de longo alcance contra a Ucrânia foi registrado apesar de uma trégua de três dias a partir de 9 de maio, que alimentou brevemente a esperança de uma retomada das negociações para tentar acabar com a guerra.
Moscou e Kiev trocaram acusações sobre violações do cessar-fogo anunciado pelo presidente americano, Donald Trump, que tenta atuar como mediador entre as partes, sem sucesso até o momento.
D.Bachmann--VB