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Candidato da extrema direita desafia esquerda no 2º turno na Colômbia
Após a surpresa do primeiro turno, o candidato de extrema direita Abelardo de la Espriella, que representa a rejeição ao presidente Gustavo Petro, larga em vantagem contra a esquerda para o segundo turno de 21 de junho na Colômbia.
O advogado de 47 anos venceu por uma margem estreita no domingo (31) à frente do senador governista Iván Cepeda e ameaça destronar o primeiro governo de esquerda da história do país.
Conhecido como "O Tigre", por suas encenações extravagantes e promessas de "mão de ferro", De la Espriella, que nunca havia concorrido a um cargo eletivo, alcançou um recorde de apoio com mais de 43% dos quase 24 milhões de votos registrados. Cepeda obteve 41%.
Após uma campanha relativamente morna e sem debates, os candidatos entram em uma disputa apertada de três semanas, na qual terão de lutar por cada voto restante.
A questão é para onde irão os votos do centro e da direita tradicional do influente ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2010), cuja candidata, a senadora Paloma Valencia, declarou apoio a De la Espriella após terminar em terceiro lugar, com pouco menos de 7% dos votos.
"O país está bastante dividido (...) a sensação é que, no segundo turno, as coisas vão continuar iguais", disse à AFP Camilo Martínez, designer de 25 anos da cidade caribenha de Barranquilla.
Em um discurso inflamado no domingo, Cepeda comprometeu-se a derrotar o "fascismo mafioso" e colocou em dúvida os resultados preliminares, em declarações que marcaram uma mudança em sua personalidade habitualmente serena.
Na segunda-feira, ele acusou De la Espriella de "roubar" o símbolo da camisa amarela da seleção colombiana de futebol para sua campanha, como fizeram os apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro no Brasil.
"Ele tem o hábito de roubar as coisas, agora está roubando a camisa da Seleção Colombiana", afirmou o senador de 63 anos.
- Difícil de "engolir" -
Os resultados inesperados foram uma vitória para De la Espriella, concordam especialistas consultados pela AFP, embora não representem uma garantia de triunfo no segundo turno.
Embora a maioria dos eleitores da direita tradicional "vá se inclinar mais facilmente para De la Espriella", para muitos deles e também para eleitores de centro a personalidade do advogado e suas políticas "extremas" são "difíceis de engolir", explica Felipe Botero, diretor do Departamento de Ciência Política da Universidade dos Andes.
Falastrão e desenvolto, o advogado classificou Cepeda e Petro como uma "dupla de criminosos" e "bandidos" em um discurso realizado no domingo em seu reduto eleitoral, Barranquilla, vestido com a camisa da seleção nacional e protegido por um vidro blindado.
Com frequentes referências à "pátria", De la Espriella faz promessas de salvar a Colômbia da "destruição" promovida pela esquerda e da pior onda de violência da última década, marcada por atentados a bomba, ataques com drones e centenas de mortos.
"Somos a matilha que derrotará para sempre o comunismo", acrescentou esse admirador de líderes como o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, e o presidente da Argentina, Javier Milei.
- "Misógino" e "homofóbico" -
Filho de um político comunista assassinado por agentes do Estado e por paramilitares, Cepeda defende os direitos humanos, os pobres e aposta na continuidade das políticas sociais de Petro.
Ele recebeu os resultados com surpresa, já que esperava vencer no primeiro turno e se apoiava nas projeções favoráveis para rejeitar a participação em debates.
Nesta segunda-feira (1º), aceitou discutir publicamente com seu adversário, embora ainda sem data prevista nem condições definidas.
"gora sim, covarde?", respondeu De la Espriella, que pediu aos meios de comunicação "que marquem data e hora" para a realização do debate.
As ofensas de ambos os lados estão se intensificando.
Cepeda chama o direitista de "misógino" e "homofóbico", em resposta a numerosos comentários do advogado sobre o tamanho de seus "colhões" e a críticas dirigidas a opositores gays.
Mas ele precisa se moderar caso queira conquistar o eleitorado de centro, apontam especialistas.
Por sua vez, De la Espriella "captou o sentimento do antipetrismo e do radicalismo de direita", explica Juan Nicolás Garzón, professor de Ciência Política da Universidade de La Sabana.
O advogado quer construir megapresídios para criminosos, que seriam alimentados com "pão e água", e enriquecer os colombianos, assim como afirma ter conseguido fazer consigo mesmo.
A esquerda questiona a origem de sua fortuna e sua atuação na defesa de figuras como narcotraficantes e do suposto testa de ferro do presidente venezuelano deposto Nicolás Maduro, Alex Saab.
De la Espriella representa "uma direita anacrônica e reacionária" na região, afirmou Conny García, defensora dos direitos humanos de 37 anos que apoia Cepeda.
L.Meier--VB