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Negociações Irã-EUA tropeçam, enquanto Israel avança no Líbano
As negociações para encerrar a guerra no Oriente Médio parecem cada vez mais comprometidas, depois que a agência de notícias iraniana Tasnim reportou, nesta segunda-feira (1º), que Teerã rompeu o diálogo indireto com Washington diante da ofensiva israelense no Líbano.
O Irã acusou os Estados Unidos de voltar a violar o frágil cessar-fogo alcançado em 8 de abril, após os ataques americanos deste fim de semana, aos quais se seguiram represálias militares iranianas.
Segundo a agência Tasnim, a decisão de suspender as negociações foi retomada devido aos "crimes" que Israel "segue cometendo" no Líbano e às violações "em todas as frentes" da trégua.
"A equipe negociadora iraniana suspende, portanto, o diálogo e a troca de textos através dos mediadores", acrescentou a agência iraniana.
Fontes diplomáticas informaram à AFP que está prevista uma reunião de emergência sobre o Líbano nesta segunda no Conselho de Segurança da ONU, a pedido da França, que declarou no domingo que "nada justifica a grave escalada que está ocorrendo" nesse país.
As forças israelenses, que dizem querer "eliminar" o grupo Hezbollah pró-iraniano, avançaram no território libanês como nunca em mais de 25 anos.
O Irã lembrou, nesta segunda, através de seu Ministério das Relações Exteriores, que um cessar-fogo no Líbano é "uma condição essencial para qualquer acordo".
- Drones "hostis" -
As negociações indiretas para pôr fim à guerra, desencadeada em 28 de fevereiro pela ofensiva israelense-americana contra o Irã, estão estagnadas há semanas.
Mais ainda depois que Teerã reiterou, nesta segunda, que seu programa nuclear não fazia parte "desta etapa" dos diálogos, ao contrário das expectativas de Donald Trump, que na noite de domingo afirmou que um memorando de entendimento deveria estipular "muito claramente que o Irã não terá uma arma nuclear".
Estes bombardeios tiveram como alvos sistemas de radar e de controle de drones na cidade de Goruk e na ilha de Qeshm, no Estreito de Ormuz, informou no X o Comando Central dos Estados Unidos no Oriente Médio (Centcom).
A Guarda Revolucionária do Irã anunciou, por sua vez, que tinha atacado uma base usada pelas forças americanas para bombardear o território iraniano, sem informar sua localização.
O Kuwait informou que sua defesa aérea interceptou mísseis e drones "hostis", atribuindo estes ataques ao Irã.
O conflito deixou milhares de mortos e sacode a economia mundial, com um forte aumento dos preços do petróleo, que voltaram a disparar nesta segunda-feira ante o recrudescimento das tensões.
Por volta das 14h05 GMT (11h05 de Brasília), o preço do barril de Brent do Mar do Norte, com entrega em agosto, operava em alta de 6,60%, a 97,13 dólares, enquanto o de West Texas Intermediate, com entrega em julho, subia 7,62%, a 94,02 dólares.
Desde o fim de fevereiro, o Irã bloqueia o Estreito de Ormuz, rota marítima fundamental para o transporte mundial de hidrocarbonetos, e os Estados Unidos impõem um bloqueio aos portos iranianos.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, prometeu, nesta segunda, em um telefonema com a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, que seu país facilitaria a passagem de navios japoneses pelo estreito.
- Mais firmeza -
Irã e Estados Unidos pareciam estar próximos de um acordo nos últimos dias, mas o jornal New York Times noticiou no sábado que o presidente americano, Donald Trump, tinha endurecido sua proposta de negociação com o Irã.
Segundo o veículo online americano Axios, Trump, cuja prioridade declarada é pôr fim ao programa nuclear iraniano e reabrir o Estreito de Ormuz, pediu mais firmeza por parte de seus negociadores.
No domingo, a emissora CBS reportou que a nova proposta americana prevê uma prorrogação do cessar-fogo de 60 dias com cláusulas que contemplam a reabertura de Ormuz e um marco para retomar as negociações nucleares.
O Irã, que reivindica o direito a um programa nuclear civil, desmente querer desenvolver uma arma atômica, apesar das suspeitas neste sentido dos Estados Unidos e de outros países.
Teerã pretende abordar este tema em uma segunda fase, em caso de um acordo com Washington, e exige a suspensão imediata das sanções que lhe foram impostas.
T.Ziegler--VB